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01/12/2015 22:34 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:35 -02

‘Decisivo e imprevisível', diz Chico Alencar sobre futuro do processo contra Cunha

Montagem/Estadão Conteúdo

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados tenta mais uma vez decidir nesta quarta-feira (2) o futuro do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Apesar do processo ter sido instaurado há quase um mês, não há um cenário provável do resultado da votação.

“Vai ser decisiva e imprevisível”, definiu o líder do PSol, Chico Alencar (RJ). O deputado aposta na postura que os deputados do PT deverão adotar. “Eles ainda são os protagonistas. Cada voto é decisivo e esses três vão fazer a diferença.”

O deputado diz isso com base na relação que os 21 parlamentares titulares que compõem o colegiado têm com Cunha. Praticamente metade é aliado e a outra parte já declarou que votará pela admissibilidade da representação.

Até o início da noite de ontem, o PT estava rachado. O deputado Zé Geraldo (PA) cobrava uma ação do Supremo Tribunal Federal (STF) para afastar Cunha da presidência e dizia que o partido não podia ceder a “chantagem".

“Estamos votando não com a faca, mas com a metralhadora no pescoço, todo mundo sabe que o Cunha trabalha com essa arma. A metralhadora está nas mão do Cunha”, disse o petista à Folha de S.Paulo.

Segundo ele, o voto não seria pela salvação de Cunha, mas pela economia e o emprego.

Ao mesmo tempo, o deputado Valmir Prascidelli (PT-SP) fazia um discurso moderado. Ao HuffPost Brasil, ele disse que os integrantes da bancada não se manifestaram na sessão de terça-feira (1º) porque esperavam ouvir o argumento dos demais colegas para se posicionar. "Esse é um julgamento que exige imparcialidade", pregou.

Em outra frente e sem comunicar a bancada da Câmara, o presidente do PT, Rui Falcão, pediu, pelo Twitter, que a bancada se posicione contra Cunha.

O enfrentamento ao presidente da Casa também foi sustentado por 31 dos 60 deputado da legenda na Casa. Eles fizeram um abaixo-assinado demandando, "mais uma vez, a admissão e prosseguimento da representação”.

"Cunha tem revelado, diuturnamente, a falta de qualquer pudor em utilizar sua posição de direção da Câmara Federal em proveito próprio, inclusive promovendo e patrocinando o cancelamento de sessão do Conselho de Ética, atacando Instituições e praticando toda sorte de chantagens”, diz trecho do documento.

O temor dos petistas é que a abertura do processo contra Cunha no Conselho de Ética faça com que Cunha decida aceitar um dos pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, em retaliação.

Representação

Cunha é alvo de um processo de quebra de decoro, que pede sua cassação. Autores da representação, o Psol e a Rede apresentaram uma série de argumentos contra o presidente da Casa, como a delação premiada de Julio Camargo, que acusa o peemedebista de ter cobrado propina, as contas na Suíça e a suspeita de que ele tenha mentido na CPI da Petrobras, ao dizer que não tinha contas bancárias no exterior.

Estratégia

Cunha trabalha para que o processo seja arquivado imediatamente. Segundo Marcelo Nobre, advogado do peemedebista no conselho, seu cliente não omitiu no seu Imposto de Renda os valores que ele detém num truste e não mentiu à CPI.

Aliados do peemedebista protelaram e manobraram o quanto puderam para adiar a votação que pode abrir as investigações na esperança de mudar os votos dos indecisos.

Caso o colegiado opte pela admissibilidade da representação, a estratégia dos aliados de Cunha é fazer com que ele não seja cassado e receba apenas uma pena menor, como uma advertência escrita.

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