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27/11/2015 23:10 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Prefeitura de Governador Valadares proíbe água mineral nas escolas

LINCON ZARBIETTI/O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO

Com campanhas de doação de água, filas quilométricas para busca de água mineral e chaga de vítima do desastre de Mariana, com o rompimento da barragem que inundou o rio Doce de lama, os moradores de Governador Valadares (MG) levaram mais um choque.

O secretário municipal de Educação, Jaider Batista da Silva, proibiu as crianças de levarem garrafas com água mineral para a escola e determinou que as doações fossem devolvidas ou doadas aos funcionários da instituição de ensino.

Ao Diário do Rio Doce, o secretário argumentou que o laudo sobre a qualidade da água está afixado na parede da escola e foi entregue aos pais. Segundo ele, a medida é de segurança e proteção.

“Nesta semana, começou uma pressão muito grande de doação de água mineral para as escolas. Imagine que naquela semana em que o Saae não tratou a água e que todo mundo ficou desabastecido, nós tivemos seis situações de furto de água em escolas. Então, imagine se as escolas começarem a estocar água mineral? Essa medida foi de segurança e proteção”, disse ao jornal local.

Ele ainda disse que não podia distinguir entre as crianças com água mineral e as sem água. “Alguns pais, movidos pelo medo e intranquilidade que tomou conta de muita gente na cidade, começaram a levar a garrafinha de água da criança para a creche. Nós não temos condição de administrar isso, já administramos a alimentação especial para crianças com problemas de saúde. Cada adulto vai ter que administrar o seu medo, seu temor.”

“Assim como não pode levar lanche de casa, não pode levar água de casa. É obrigação nossa prover água de qualidade e água de qualidade é a água tratada pelo SAAE”, disse em um vídeo publicado no Facebook.

Revolta

Os pais, porém, não interpretam a medida desta forma. A maioria se rebelou e continua levando os filhos para a escola com as garrafinhas.

Mãe de crianças de 7 e 9 anos, Aline Guidine é uma das que está indignada com a determinação do secretário. Desde o acidente, os filhos dela têm levado garrafinha para a escola. Segundo ela, não há quem acredite no laudo que mostra que a água está dentro dos padrões.

“Como estará nos padrões se o cheiro é diferente, se o rio recebeu aquele tanto de lama. Não faz sentido”, diz.

Outra que não se conforma com a decisão é a artesã Sida Coelho, 42 anos. O filho dela também tem levado água de casa.

“E vai continuar levando. Os pais estão enfrentando a decisão do secretário porque não faz sentido. Não é querer diferenciar quem tem água de quem não tem, é cuidar da nossa saúde”, desabafa.

Os pais ficaram revoltados com a afirmação do secretário de que a água mineral doada para a escola poderia ficar com os funcionários. Em uma campanha nas redes sociais, os moradores do município questionam o secretário e denunciam abuso. “Duvido que o secretário beba a água da SAAE ou dê para seus filhos beberem”, diz trecho do post.

Crise de abastecimento

Fila para receber água doada em Governador Valadares

Enquanto o secretário proíbe água mineral nas escolas, os moradores de Governador Valadares continuam enfrentando filas para receber água doada de todas as partes do Brasil.

O clima na cidade segue tenso sem que os moradores confiem no laudo que diz que a água está dentro dos padrões e sem perspectiva de que a lama seja dissipada.

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