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26/11/2015 20:12 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Temor de paralisar o ajuste com a prisão de Delcídio faz governo apelar a Renan

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Os ministros Nelson Barbosa, do Planejamento, e Joaquim Levy, da Fazenda, fizeram um apelo ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para que as votações do ajuste fiscal não seja ainda mais prejudicadas com o rescaldo da prisão do senador Delcídio Amaral (PT-MS).

A principal preocupação do governo é manter o cronograma de votações do pacote econômico para tentar salvar as contas do País e recuperar a governabilidade no próximo ano.

Ainda na quarta-feira, Barbosa ligou para o peemedebista. Apesar da votação que decidiu por não relaxar a prisão de Delcídio, o governo queria manter a sessão do Congresso, na tentativa de manter os vetos da presidente, aprovar a redução da meta fiscal de 2015 e o orçamento de 2016.

Nesta quinta-feira, foi a vez de Levy fazer o apelo. Além de ligar para Renan, o ministro foi pessoalmente à casa do peemedebista expor a preocupação do Planalto.

No PMDB, a avaliação é que não basta esforço de Renan, é preciso que os correligionários da presidente apoiem o pacote fiscal.

No Senado, o clima é desolador com relação às votações. A sessão está prevista para o dia 3, uma quinta-feira, quando o quórum costuma ser baixo. Há possibilidade de Renan antecipar se o governo se estabilizar. Isso significa escolher outro senador para ocupar a liderança exercida por Delcídio.

Um nome bem visto pelo Planalto é o do senador Blairo Maggi (PMDB-MT). Ele, no entanto, não tem demonstrado interesse em assumir a posição.

Além da liderança de governo, o Planalto e a bancada do PT na Casa terão que escolher um novo presidente para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), cargo também ocupado por Delcídio.

“A comissão mais importante do Senado, especialmente neste ano. O PT não vai abrir mão, mas uma hora o Delcídio vai voltar e a fratura vai ficar exposta, mesmo que ele seja expulso. Não tem como tomar essa decisão sem deixar alguém ferido”, explicou um petista ao HuffPost Brasil.

Nos corredores do Senado, a principal aposta é que apenas a redução da meta será votada este ano. “O governo está a todo custo tentando voltar a normalidade, mas deve conseguir aprovar apenas uma matéria. E vão ter que comemorar porque vão fechar o ano no lucro, podia ser muito pior”, disse um peemedebista do Senado ao HuffPost Brasil.

O peemdebista lembra que falta apenas seis sessões para o ano encerrar. ele ressalta que o projeto de Desvinculação das Receitas da União só chegará ao Senado em 10 de dezembro. “Sete dias antes do recesso. Ninguém vai querer votar isso sem discutir. Outro importante, o da repatriação também ficou prejudicado porque o Delcídio era o relator”, emendou.

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