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26/11/2015 20:15 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Lama atinge região de desova de tartarugas e mata 11 milhões de peixes

JOVANDER SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO

Mesmo com a ação de ambientalistas, os berçários de caranguejos e de peixes, conhecidos como igarapés, na região de Linhares (ES) foram atingidos pela lama que vazou com o rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG).

A primeira tentativa foi barrar os resíduos com a instalação de 9 quilômetros de boias na região, há aproximadamente uma semana. Na ocasião, a mineradora informou que tal medida reteria até 80% dos resíduos, o que não aconteceu.

No entanto, segundo o chefe da Reserva de Comboios, Antônio de Pádua Almeida, os ninhos das tartarugas que estavam próximos à foz do Rio Doce foram retirados previamente, para que a lama não os atingisse, mas a chegada dos rejeitos à parte norte da reserva ameaça outros ninhos.

"Conseguimos retirar os filhotes que nasceram e os soltamos em outro ponto no mar como medida de emergência, mas não sabemos se eles serão ou não contaminados. Se o grosso dessa lama vier e ficar depositado tanto na foz quanto nas praias, não sabemos o impacto que vai trazer para a biodiversidade", disse Almeida.

11 toneladas

A lama já provocou a morte de 11 toneladas de peixes ao longo do Rio Doce, segundo o Ibama.

Por ora, 8 milhões de peixes mortos foram retirados no trecho mineiro do rio, entre os municípios de Rio Doce e Aimorés, e 3 milhões a partir desse município até a foz, no distrito de Regência, município de Linhares, no litoral norte do Espírito Santo.

O recolhimento dos peixes, por determinação judicial, está sendo feito pela Samarco com o acompanhamento de equipes do Ibama.

A morte dos peixes é causada basicamente pelo entupimento das guelras por lama. Baixos níveis de oxigênio na água, o que pode ser provocado pela presença em alta quantidade dos rejeitos de minério de ferro, também podem impedir a sobrevivência de animais aquáticos.

Pescadores da região de Linhares já entraram na Justiça com um pedido de liminar para que sejam mensalmente indenizados pela Samarco, cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton.

Um audiência de conciliação foi agendada para o dia 2 de dezembro. Em nota, a Samarco informou que ainda não foi notificada da intimação citada.

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