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25/11/2015 22:25 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Senado mantém decisão do STF e Delcídio Amaral dorme na prisão

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Foram três horas e 45 minutos de um julgamento ao qual nenhum parlamentar gostaria de participar. Apesar de muitas ressalvas, 59 dos 73 senadores presentes no plenário nesta quinta-feira (25) decidiram, em voto aberto, manter o colega Delcídio Amaral (PT-MS) preso.

Após a votação, o Senado ficou em silêncio. Foi instaurado um clima de velório. Líder do PSDB, o senador Cássio Cunha Lima (PB) afirmou que "decisão como esta não se comemora”.

“Ninguém comemora tragédia alheia. A denúncia é muito grave, a prisão está bastante fundamentada, preenche todos os requisitos legais. É incompatível o exercício parlamentar com a permanência dele no cargo.”

Correligionário de Delcídio e líder do partido no Senado, Humberto Costa (PE), evitou entrar no mérito da denúncia, mas orientou o partido a votar pelo relaxamento da prisão, com o argumento de que este é um assunto que diz respeito ao Senado.

“Deveríamos preservar a autonomia entre os poderes. Não queremos questionar a interpretação do Supremo, mas achamos que há dúvida sobre o flagrante.”

Humberto foi uma das 13 pessoas que votaram para que Delcídio fosse solto. Dos petistas presentes, apenas Walter Pinheiro (PT-BA) e Paulo Paim (PT-RS) votaram para que o correligionário permanecesse preso. Além dos petistas, Fernando Collor (PTB-AL) e João Alberto Souza (PMDB-MA) - presidente do Conselho de Ética, votaram pelo relaxamento da prisão.

O primeiro voto da sessão foi sobre como seria o voto, se seria aberto ou fechado. A maioria decidiu por expor a escolha. A decisão foi de encontro ao que o STF decidiu, em uma questão de ordem apresentada, também nesta quinta-feira, pelo líder do DEM, Ronaldo Caiado (GO).

Caiado foi um dos que endossou a tese do dia difícil para o Senado. “Realmente é um dia trágico, constrangedor, para todos nós e ao mesmo tempo para o Senado Federal. Todos gostariam de passar por essa legislatura sem ter que discutir uma matéria tão delicada como a que está na pauta no dia de hoje”

Delcídio Amaral, líder do governo na Casa, foi preso na manhã desta quarta-feira por tentar atrapalhar as investigações da operação Lava Jato. A prisão foi sustentada em uma gravação na qual ele oferece um plano de fuga e R$ 50 mil mensais para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. A intenção era evitar que Cerveró fechasse acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

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