NOTÍCIAS
25/11/2015 11:33 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Presidente da Gâmbia anuncia proibição da mutilação genital feminina

Marvi Lacar via Getty Images
NAROK, KENYA - DECEMBER 25: Lato Caroline Gilisho, 17, sobs after recalling her story inside a dormroom at the Tasaru Safehouse for Girls December 25, 2006 in Narok, Kenya. The Tasaru Safehouse supports board, lodging and education of young Maasai girls from preteens to late teens who seek refuge from female circumcision and early marriage. In 2001, the Kenyan government passed the Children's Act which highlights the right of a child to receive an education. It also issues a ban on what is now referred to as Female Genital Mutilation (FGM) and early marriage (below 18 years). News of the recent law and the conviction to conform with the changing belief system has not reached many in the rural and remote areas of the Rift Valley. Caroline went to the center at the age of thirteen to escape an arranged marriage. Instead of using the money given to her for groceries and supplies for the ceremony, she used it to pay for her fare to Narok. She is currently in her last year of school and serves as a class prefect. While inherently bright, she is also a hardworker. Caro, as her friends call her, wakes up at around 3:30 in the morning during school holidays to study. Her parents continue to refuse her despite numerous interventions by Tasaru counselors. One counselor recalled Caro saying that after she finishes school and becomes an important leader in the community, she will drive back to her village in her own car to visit her parents. Although rejected by her own family, Caro harbors no ill will towards them. She continues to value her Maasai roots though feels strongly against FGM and early marriage. She hopes to one day go back to her community and serve as a positive influence for a younger generation of girls. (Photo by Marvi Lacar/Getty Images)

A República da Gâmbia anunciou, nesta terça-feira (24), que vai banir amutilação genital feminina. O anúncio foi feito pelo presidente do pequeno país africano, Yahya Jammeh.

A proibição, segundo mandatário, passa a valer imediatamente. No entanto, de acordo com o Guardian, não há uma data exata para quando o governo vai elaborar uma legislação que torne a proibição efetiva. Segundo ativistas, o dispositivo legal e imprescindível para salvar "inúmeras vidas".

A medida também foi confirmada pelo ministro das Comunicações do país, Sherrif Bojang, segundo a agência de notícias AFP. "O presidente disse que a decisão de banir a mutilação genital feminina é, basicamente, para proteger as meninas", contou.

A Gâmbia é uma ex-colônia britânica e uma das nações mais pobres do mundo. Jammeh governa o país desde que assumiu o poder em um golpe, no ano de 1994.

A proibição, anunciada durante uma visita do presidente ao seu vilarejo natal, surpreendeu a equipe do governo e o público.

"Eu estou muito surpresa que o presidente tenha feito isso. Não esperaria uma decisão como essa nem em um milhão de anos. Estou orgulhosa do meu país e muito muito feliz", comemorou Jaha Dukureh, ativista que luta pelo fim da mutilação genital feminina ao Guardian.

A prática ainda é bastante comum no país de 1,8 milhões de habitantes, onde estima-se que 75% das mulheres tenham sido mutiladas, assim como em várias outras nações africanas e em algumas partes do Oriente Médio.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 125 milhões de mulheres no mundo todo foram submetidas à mutilação, que envolve cortes nos lábios vaginais e no clitóris, geralmente enquanto as meninas ainda são muito jovens - 56% das crianças com até 14 anos foram mutiladas na Gâmbia. O procedimento pode causar a morte das mulheres, seja por hemorragia ou por infecções. Há ainda casos de mulheres que morrem durante o parto, por causa de complicações decorrentes da mutilação.

Ainda neste ano, a prática foi banida na Nigéria, que se juntou a ouras 18 nações africanas que proibiram a mutilação genital, incluindo a República Centro-Africana, o Egito e a África do Sul.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: