COMPORTAMENTO
23/11/2015 18:03 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

A história do abuso sexual da irmã de Viola Davis é a mesma de muitas outras meninas

Reprodução/Youtube.com

Sofrer abuso sexual na infância pode deixar por toda a vida. E a atriz Viola Davis quer que as vítimas não silenciem este tipo de violência.

Em evento beneficente da Stuart House em parceira com a The Rape Foundation, instituição que ajuda crianças que já sofreram esse tipo de assédio, na semana passada, a atriz Viola Davis, que está arrasadora na série How To Get Away With Murder -- e que ganhou um Emmy de melhor atriz dramática por ela --, se emocionou ao falar pela primeira vez sobre um abuso sexual sofrido pela sua irmã.

Eu tenho uma irmã que, quando tinha 8 anos, calçou seus patins e foi brincar com as amigas, à uma da tarde, e entrou numa loja. Quando entrou, foi abusada por um dos funcionários. Ela chegou em casa e contou para nossa mãe, que foi até a loja e começou a gritar com os donos. Eles disseram: ‘deixa o cara em paz, ele faz isso com todas as garotas que vêm aqui’. Então minha mãe acenou para um policial. Ele encontrou o homem e o levou em seu carro. Eu vi minha irmã chorando. Minha mãe estava chorando também. E foi isso!

Em seguida, muito emocionada, Viola falou sobre características da personalidade de sua irmã que, de certa forma, mudaram após o que aconteceu. A atriz, que não revela o nome da irmã em nenhum momento de seu discurso, disse que ela teve a vida devastada pelas drogas e seus seis filhos foram levados pelo serviço social.

A partir daí, uma menina que era muito inteligente, linda e criativa cresceu frágil, irritada e se tornou viciada em drogas aos 20 anos. Ela teve seis filhos, todos eles levados pelo serviço social. Tornou-se uma prostituta usuária de drogas. Sabe, memórias exigem atenção, porque memórias têm dentes. Na minha visão, quando rezo pela minha irmã… Rezo por tudo. Rezo para ela encontrar paz, amor e felicidade… Que ela saia das drogas. E aí abro os olhos e, claro, ela ainda está nas ruas.

E foi aí que ela falou sobre a importância de não silenciar casos como estes e buscar apoio em instituições.

Se eu pudesse ter uma fantasia, seria dar a ela permissão para falar num ambiente em que as pessoas a ouvissem. Num ambiente em que ela pudesse falar e extravasar sua raiva. [...] Há muitas histórias que vão sair daqui. Haverá vários testemunhos de jovens vencedores que vão falar sobre suas histórias de abuso — atrevendo-se a desafiar e denunciar seus agressores.

E finalizou:

E acho que, se há alguma coisa que eu vá falar hoje, eu vou falar sobre minhas irmãs do mundo. Aquelas pessoas que não aguentaram, que não tiveram uma Stuart House. Esse é um dia abençoado por Deus, e vou ficar feliz. Porque eu gostaria de dizer para a minha irmã que ela não é suja e que não deve sentir vergonha por algo por que simplesmente ela não é responsável. Eu gostaria de poder salvar sua vida.

Assista ao vídeo completo (em inglês):

Não silencie!

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