COMPORTAMENTO
19/11/2015 20:00 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Vereadores do Rio de Janeiro pedem o afastamento de Pedro Paulo por agressões a ex-mulher

Reprodução/Facebook

Não está fácil para o secretário Pedro Paulo. Definitivamente.

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro divulgou, na última quarta-feira (18), uma nota em que reivindica o afastamento do deputado Pedro Paulo Carvalho Teixeira (PMDB) do cargo de Secretário Municipal de Coordenação de Governo.

A decisão veio após os episódios de agressões do secretário à sua ex-mulher, Alexandra Marcondes, se tornarem públicos e gerar indignação. De acordo com a nota, "a manutenção de um agressor em um cargo público pode servir de estímulo à violência contra a mulher".

Leia na íntegra:

A luta para afirmar a nossa Democracia pressupõe a luta por direitos, por respeito e pela cultura da não violência. Mas o que vemos hoje no Brasil é o aumento do número de casos de agressão à mulher, à criança, de racismo e de homofobia, infelizmente.

Um grande avanço da democracia foi a aprovação da Lei 11340/2006, intitulada Lei Maria da Penha, que criou mecanismo de defesa fundamental para a vítima em posição de vulnerabilidade. Essa referência de política pública visa assegurar a democracia.

Quando se comete um ato de violência contra a mulher, quando se agride uma criança ou quando se comete um crime de ódio, de racismo ou homofóbico, toda a sociedade é atingida. Somos todos vítimas!

Nesse contexto, um homem público, um secretário de governo, um deputado federal, ao tratar dessa questão, precisa dar o exemplo. Não pode tratar como uma questão menor. Não pode particularizar o crime praticado. Não assumir sua responsabilidade é prestar um desserviço à democracia brasileira.

O Secretário de Governo do Município do Rio de Janeiro, o deputado federal Pedro Paulo Teixeira, agrediu, pelo menos duas vezes, sua ex-esposa, Alexandra Marcondes Teixeira, atitude essa já assumida por ambos publicamente. O arrependimento ou não do ato não apaga o crime cometido.

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro é contra qualquer prática de agressão. A manutenção de um agressor em um cargo público pode servir de estímulo à violência contra a mulher. Portanto, é fundamental o seu afastamento imediato das funções públicas na Prefeitura do Rio de Janeiro.

Violência contra a mulher é crime!

Pedro Paulo Teixeira (PMDB-RJ), secretário de governo da prefeitura do Rio de Janeiro, admitiu ter agredido, mais de uma vez, sua ex-mulher, Alexandra Marcondes. Na última quinta-feira (12), o secretário e e pré-candidato à prefeitura do Rio participou de uma coletiva de imprensa em que confirmou as denúncias feitas pela revista Época e Veja nos últimos meses, em que havia espancado a ex-mulher durante o Natal de 2008.

Durante a coletiva, para justificar suas atitudes, ele disse:

"Quem é que não tem uma briga dentro de casa? Quem é que não tem um descontrole? Quem é que não exagera numa discussão? Nós somos um casal como qualquer outro. Às vezes exagera, fala coisas que não deve. Agora, não achar que isso possa ser uma coisa normal na nossa vida?".

A coletiva foi convocada após duas denúncias: em outubro, Veja revelou que Alexandra havia sido arremessada no chão e levado chutes e pontapés em 2010. Depois, Época mostrou que aquela não havia sido a primeira agressão.

A revista Época ainda revelou, nesta quinta-feira (19), que, em boletim de ocorrência, Pedro Paulo ameaçava sumir com a filha do casal, de apenas quatro anos de idade. “Diariamente liga para a declarante (Alexandra) e para a mãe da mesma, dizendo que vai tirar a guarda da criança e que vai sumir com ela”, diz o documento apurado pela revista. Procurados pela publicação, Pedro Paulo e Alexandra não se pronunciaram sobre o assunto.

Mas não é só Pedro Paulo que está sendo alvo de investigações por agressões a mulher. Segundo o site da revista Veja, o assessor-chefe do gabinete do prefeito Eduardo Paes, Bernardo Lahmeyer Fellows, de 34 anos, foi denunciado na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), por duas mulheres diferentes.

O primeiro episódio ocorreu em 30 de abril de 2014, com a dentista Viviane Cristine Lahmeyer Fellows, sua atual esposa, que procurou a delegacia para denunciá-lo por agressão (vias de fato) e injúria. Ela não quis se pronunciar sobre o caso à publicação.

A segunda ocasião foi denunciada por Patrícia Proença dos Santos, assessora do vereador Marcelo Arar (PT), com quem Fellows manteve um relacionamento amoroso nos últimos três anos. Ainda segundo Veja, no último dia 30 de outubro, ela relatou ameaças que o assessor vinha fazendo por não aceitar o fim do namoro.

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