ENTRETENIMENTO
19/11/2015 18:08 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

A ‘Supergirl' é a heroína feminista que estávamos esperando

CBS

E não diga para ela que ser menina é “qualquer coisa menos que excelente”

Supergirl tem todos os elementos de uma série mainstream de super-herói: uma estrela poderosa com alter-ego meio bobalhão, parceiros competentes e engraçados, um interesse amoroso em potencial, uma vilã com sede de poder e muita ação.

E a série também tem um viés distintamente feminista. (Esse post contém pequenos spoilers sobre o primeiro episódio.)

Cresci assistindo reprises do Batman dos anos 1960 (que eu chamava de “na na na na, na na na na, Batman!”) e recentemente tenho curtido Arrow e The Flash. Fiquei empolgada com o que Supergirl poderia trazer para o cenário dos super-heróis, que é dominado pelos caras.

Como a série passa na TV aberta e tem o objetivo de atrair uma audiência ampla, “Supergirl” não é uma obra de arte radicalmente feminista. Mas é divertida, empoderadora e em nenhum momento pede desculpas pelo gênero da protagonista, Kara Zor-El.

Conhecemos Kara (interpretada por Melissa Benoist) quando ela está sendo enviada para a Terra para proteger seu primo, o futuro Super-Homem, mas ela se atrasa e chega anos depois dele.

Sua família adotiva sabe dos seus poderes, que ela decide reprimir para se encaixar na sociedade. Ela assiste de longe a transformação de seu primo em um super-herói famoso.

Kara cresce e consegue um emprego normal, trabalhando como assistente de Cat Grant, uma manda-chuva da imprensa interpretada por Calista Flockhart. Kara leva uma vida “normal” sob todos os aspectos – quer dizer, até ela evitar um desastre de avião.

Só o elenco já é motivo para se empolgar com Supergirl.

Infelizmente, é meio uma anomalia ter uma série de super-herói mainstream que conta com quatro mulheres nos papéis principais – Kara, sua irmã Alex, Cat e a vilã Astra – e dois negros como coadjuvantes. (Mas ainda estamos esperando a aparição de atrizes negras.) Como tuitou a roteirista Rebecca Eisenberg durante a exibição do primeiro episódio:

20 minutos e a maioria dos diálogos em #Supergirl foram entre três mulheres diferentes e um homem negro #mediawelike (mídia que gostamos)

E o diálogo consegue exemplificar o empoderamento das mulheres, sem fazer pregação. Os personagens discutem até mesmo se seria depreciativo chamar Kara de Supergirl.

“Ela não deveria se chamar Superwoman (Super-Mulher)?”, pergunta Kara a Cat, questionando se não é antifeminista chamar de menina uma super-heroína com tantos poderes.

Cat responde: “Qual é o problema com ‘menina’? Sou menina e sua chefe, sou rica e poderosa e gostosa e inteligente. Se você acha que Supergirl é qualquer coisa menos que excelente, o problema não está com você?”

Essa é a beleza: ambas têm argumentos fortes, e a decisão fica a cargo de quem está assistindo.

Laura Benanti, que faz o papel da mãe de Kara como o (atenção para o spoiler!) de sua irmã gêmea, a grande vilã da série, fez a seguinte interpretação da trajetória da Supergirl:

“Posso estar completamente errada, mas, para mim, Kara reprimindo seus superpoderes é uma metáfora para o que tantas mulheres fazem; elas escondem sua luz e sua força para parecer mais ‘legais’ ou ‘menos ameaçadoras’”, disse ela ao The Huffington Post.

“A felicidade desenfreada no rosto dela quando ela assume seus poderes é uma coisa linda, e espero que leve muitas meninas e mulheres a fazer o mesmo.”

E, se houvesse algum temor em relação ao apelo de uma série mainstream, feminista e estrelada por uma mulher, esperamos que a audiência do primeiro episódio o aplaque.

A estreia de Supergirl foi acompanhada por 12,9 milhões de pessoas, muitas das quais do segmento de 18 a 49 anos, um dos mais desejados pelo anunciantes.

Como disse Benoist em entrevista a Stephen Colbert, no The Late Show :

“[O que a série tem de] feminista é que ela é para todo mundo. [A Supergirl] tem os mesmos poderes [que o Super-Homem].”

Menina, mulher ou como você queira chamá-la, o importante é que ela é Super.

The Super Girl Scouts of Oklahoma dropped by National City today... #girlscouts

Uma foto publicada por Melissa Benoist (@melissabenoist) em

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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