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14/11/2015 18:35 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Eu estava no Stade de France...

ASSOCIATED PRESS
Spectators invade the pitch of the Stade de France stadium after the international friendly soccer France against Germany, Friday, Nov. 13, 2015 in Saint Denis, outside Paris. At least 35 people were killed in shootings and explosions around Paris, many of them in a popular theater where patrons were taken hostage, police and medical officials said Friday. Two explosions were heard outside the Stade de France stadium. (AP Photo/Michel Euler)

Eu estava no Stade de France trabalhando como anfitrião da Federação Francesa. Ajudei a maquiar os torcedores com as cores da bandeira e os orientei dentro do estádio.

Até as 21h15, tudo estava bem. Estávamos numa sala fazendo uma reunião com a equipe. Nos disseram que poderíamos ir embora assim que a reunião terminasse. De repente, ouvimos uma primeira explosão, e então uma segunda , mais ou menos um minuto depois. Mas o tempo, nessas horas, fica confuso. Sentimos as paredes e o solo chacoalhando. A equipe de apoio nos assegurou de que eram fogos de artifício. Mas sentimos que algo grave estava acontecendo.

Depois de cinco ou dez minutos, ouvimos sirenes de polícia. Tentei entrar no Twitter para encontrar informações, mas a rede estava congestionada. Consegui achar algumas informações no iTélé. Soube dos atentados em Paris. Começamos a entender que a situação era realmente grave.

Os torcedores no estádio continuavam acompanhando a partida. Quando saiu um gol, as arquibancadas vibraram com o entusiasmo da torcida. Que diferença em relação ao que estávamos pensando... Desde a primeira explosão, ninguém podia entrar nem sair.

Depois, alguém nos disse que as forças especiais (GIPN) estavam no estádio. Cerca de meia hora depois das duas primeiras explosões, houve uma terceira, igualmente forte. As pessoas da sala buscavam informações nas redes sociais. Soubemos que Hollande havia sido retirado do Stade de France. As pessoas começaram a ficar nervosas por estarem presas ali. A sala é grande, o ar estava respirável, mas éramos mais de cem, e fazia calor.

As pessoas começaram a falar em vários atentados em Paris.

Um pouco antes do apito final, nos permitiram sair. Ao redor do estádio, tudo estava confuso. Passei por baixo de um viaduto para chegar ao metrô. Lá, a cerca de 20 metros, vi dois policiais apontando uma arma para um jovem, que dizia ser jornalista. Os policiais não pareciam acreditar. Eles fizeram o suspeito ficar de joelhos.

À minha volta, o pânico começava a se instalar. Primeiro, nos disseram para fazer um caminho para chegar ao metrô. Depois, disseram para fazer outro. Eu e dois amigos corremos até a estação. Nos refugiamos na casa de um amigo, e passaríamos a noite ali.

(Estava no Stade de France, mas agora estou em segurança. Horror indescritível)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost FR e traduzido do francês.

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