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13/11/2015 23:46 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Apesar de todo o sangue, o MMA é mais seguro que o boxe

ASSOCIATED PRESS

O MMA é mais sangrento, mas ainda assim menos perigoso.

Para os espectadores, a violência e o sangue do MMA fazem a luta no octógono parecer o esporte mais perigoso do planeta.

Mas um novo estudo diz que o MMA é mais seguro que pelo menos uma outra modalidade: o boxe.

Pesquisadores da Clínica de Medicina Esportiva Sather, da Universidade de Alberta, no Canadá, descobriram que, embora os lutadores de MMA tenham maior probabilidade de apresentar ferimentos pequenos mas visíveis -- como cortes ou contusões --eles têm menos propensão a sofrer o tipo de lesão que importa para a saúde do praticante no longo prazo: concussões, traumas na cabeça, inconsciência, lesões nos olhos e no rosto e fraturas.

“A maioria do sangue que se vê no MMA vem do nariz ou de cortes no rosto; essas lesões não tendem a ser graves, mas parecem ser piores do que realmente são”, disse em comunicado de imprensa Shelby Karpman, especializado em medicina esportiva e autor principal do estudo.

Os pesquisadores estudaram dados de 1.181 lutadores de MMA e 550 boxeadores, recolhidos depois de lutas. Os atletas participaram de competições em Edmonton, no Canadá, entre 2003 e 2013. 59,4% dos lutadores de MMA e 49,8% dos boxeadores sofreram algum tipo de lesão em suas lutas. 7,1% dos boxeadores perderam a consciência ou sofreram lesões graves nos olhos, em comparação com apenas 4,2% dos lutadores de MMA.

Além disso, os boxeadores “tinham maior propensão” a ser impedidos de voltar a lutar por motivos médicos.

Karpman espera que a pesquisa chame mais atenção dos médicos para os lutadores de MMA, que se tornaram uma “população atlética que não recebe os cuidados devidos”, segundo a pesquisadora.

Karpman acredita que os lutadores de MMA precisam de mais atenção por causa das lesões sofridas no octógono.

Para quem conhece os dois esportes, o resultado da pesquisa não chega a ser surpreendente. Pode-ser argumentar que é esperado que o boxe leve a mais lesões na cabeça, pois atingir a cabeça do adversário é um dos principais objetivos do esporte. No MMA, os golpes visam várias partes do corpo.

Se mais pesquisas demonstrarem que o MMA é “mais seguro” que o boxe, a tendência é que as artes marciais mistas conquistem ainda mais popularidade, e o boxe fique cada vez mais esquecido. Se existe relação entre as duas tendências é incerto, mas o resultado é inegável.

Nas duas últimas décadas, o MMA e sua principal organização, o Ultimate Fighting Championship (UFC), se tornaram competidores duríssimos do boxe.

O MMA também está na dianteira quando se trata de grandes estrelas, com a ascensão de Ronda Rousey e a aposentadoria de boxeadores como Floyd Mayweather e Manny Pacquiao.

“Sinceramente, acho que o boxe vai acabar”, disse o presidente do UFC, Dana White, em uma entrevista à ESPN Radio, em julho de 2010. Para White, o modelo de negócios fraturado do boxe causou danos irreparáveis à modalidade.

E os riscos de praticar o esporte, em comparação com o MMA, também podem ter impacto no nível dos atletas – enquanto uma geração de lutadores cresceu com ídolos como Muhammad Ali, a próxima pode se inspirar em Rousey ou Conor McGregor.

O MMA pode ser mais sangrento que o boxe, mas, para os lutadores, parece ser um pouco mais seguro. Como os atletas colocam seus corpos em risco, qualquer ganho em termos de segurança é importante.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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