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12/10/2015 20:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Mulheres se abrem sobre experiências negativas no parto em uma série de fotos tocantes (FOTOS)

LINDSAY ASKINS/SPOT OF SERENDIPITY

Uma série de fotos tocantes está dando a oportunidade para mães falarem sobre suas experiências traumáticas no parto, além de incentivar a conversa sobre questões enfrentadas por muitas mães na hora do parto.

Intitulada Exposing The Silence (expondo o silêncio), a série foi criada por Cristen Pascucci, que trabalha para organizações como Improving Birth e Birth Monopoly, com a doula e fotógrafa Lindsay Askins.

As duas mulheres viajaram por todos os Estados Unidos com seus filhos e se encontraram com mães que sofreram traumas na gravidez e no parto – de histórias de cesarianas de emergência a abortos naturais e alegações de abusos por parte de médicos.

mãe e filho

Lindsay Askins/Spot of Serendipity “Como enfermeira, confiava na minha médica e nas opiniões dela. Meia hora depois de ter chegado ao hospital, ela transformou meu parto lindo e tranquilo num desastre caótico com suas intervenções desnecessárias. Depois ela disse que estragou meu parto, mas pelo menos a incisão que fez foi bonita” – Brittany, Wheeling, Virgínia Ocidental


Pascucci e Askins acreditam ser importante que mães tenham uma plataforma para falar abertamente de experiências traumáticas de parto. “A maioria das mulheres hesita em falar sobre o que passou porque ouvem comentários negativos e não recebem validação”, disse Askins ao The Huffington Post.

“‘Pelo menos você tem um bebê saudável’, ou ‘pare de reclamar’ é uma resposta frequente, e o resultado é que essas mães duvidam dos seus próprios sentimentos e ficam isoladas e deprimidas”, continuou ela, acrescentando que essa confusão interna pode ser avassaladora para as mães e provocar efeitos duradouros em suas famílias.

Pascucci e Askins esperam que a série ajude na conscientização sobre os traumas ligados ao parto e enfatize a importância de apoiar essas mães. O objetivo imediato, entretanto, é fortalecer mulheres que passaram por esse tipo de trauma, para que elas se sintam menos sozinhas. “A maioria dessas mulheres se sente silenciada”, diz Pascucci. “Falar significa força e cura.”

Veja abaixo algumas das fotos e histórias tocantes da série Exposing The Silence .

  • Lindsay Askins/Spot of Serendipity
    “Simplesmente ouvir e acreditar que eu – uma mulher – conhecia meu histórico médico e meu corpo teria evitado o trauma de um parto cirúrgico que já me dava muito medo.
    Mas um anestesista incompetente e desrespeitoso me sentenciou a uma maternidade cheia de flashbacks e ansiedade.”
    – Mandy, Pittsburgh, Pensilvânia
  • Lindsay Askins/Spot of Serendipity
    Depois de planejar e me educar durante minha gravidez inteira para um parto natural, na consulta da 37ª semana minha obstetra fez um exame vaginal.
    Ela procurou meu cérvix e, como não conseguia encontrá-lo, perguntou, ainda com a mão dentro de mim: “Alguém já te disse que você tem uma ‘B’ enorme?”
    – Jen, Denver, Colorado
  • Lindsay Askins/Spot of Serendipity
    “Fico triste que um evento tão monumental da minha vida tenha se tornado uma memória tão distante. Acho que tentei deixá-lo no passado para poder curtir o presente e para não me entristecer com um evento que não posso mudar.
    Não quero parecer mal-agradecida.”
    – Brittany, Wheeling, Virgínia Ocidental
  • Lindsay Askins/Spot of Serendipity
    “Não fui tratada com respeito pelos profissionais médicos, e minhas decisões a respeito da minha própria saúde foram ignoradas.
    Para uma mãe saudável, com uma gravidez saudável, o parto natural deveria ser incentivado... não ridicularizado e desincentivado.”
    -- Angela, Richmond, Virgínia
  • Lindsay Askins/Spot of Serendipity
    “Não sabia do que se tratava um parto. Não sabia que me arrependeria de estar cercada de pessoas em quem não confiava. Não sabia que podia, como mulher, estar no controle de mim mesma.
    Precisava que a parteira me incentivasse. Me senti sozinha naquele hospital. Me senti fraca. Me senti fracassada. Ainda me sinto assim. Até mesmo agora, escrevendo este texto, quase dois anos depois, acho que estou em falta com minha filha.
    Queria dar à luz em casa, onde ela pudesse me ver imediatamente e se sentir segura. O hospital parecia seguro, mas eu estava errada.”
    Bri, San Diego, Califórnia.
  • Lindsay Askins/Spot of Serendipity
    “Eu não sabia que tinha alternativas, não conhecia as rotinas nem o protocolo, ou como as coisas funcionam na UTI da maternidade.
    Comecei a me sentir esquisita, como se não fosse realmente a mãe dela porque não me permitiram. Tinha entrado naquela maternidade em trabalho de parto, mais feliz que nunca. Fui de um hospital para o outro, com um sentimento de derrota e vazio, em vez de um bebê saudável.
    Fracassei por nós duas, e ambas sofremos por causa disso.”
    – Mega, Baltimore, Maryland.
  • Lindsay Askins/Spot of Serendipity
    “Quando você está num estado tão grande de vulnerabilidade e não tem controle nem forças, você pode ficar bem ou então do lado oposto do espectro.
    Queria que eles entendessem como cada palavra e cada ação – ou inação – faz diferença. É o corpo, o bebê, a vida de uma pessoa. Tudo tem de ser importante. Vocês deixaram uma cicatriz na minha família, para sempre.”
    – Meghan, New Jersey
  • Lindsay Askins/Spot of Serendipity
    “Você pode ser grata e apreciar o fato de ter um bebê saudável e ainda assim ficar completamente traumatizada pela experiência do parto.
    Ficar traumatizada não quer dizer que você não seja grata – são duas coisas completamente diferentes.”
    – Kimberly, Columbus, Ohio
  • Lindsay Askins/Spot of Serendipity
    “Estou falando por tantas mulheres grandes que foram maltratadas no parto; de serem forçadas a tomar decisões que não são baseadas em evidências científicas a ouvirem que suas vaginas são gordas demais para dar o bebê à luz.
    Chega! A vergonha não é uma ferramenta eficaz, e não vamos mais tolerar esse bullying.”
    -- Jen, Denver, Colorado
  • Lindsay Askins/Spot of Serendipity
    “Acordar na UTI, respirando por aparelhos, menos de 12 horas depois de dar à luz minha filha não era algo que eu esperava. Naquela noite, alternei entre momentos de consciência e de inconsciência, tentando lembrar o que tinha acontecido e administrando minha dor.
    Sempre falam para as mulheres dos riscos de [um parto normal depois de uma cesariana], mas acho que não entendi inteiramente os riscos de uma nova cesariana.
    Simplesmente não me dei conta de que isso poderia acontecer comigo. Não tem sido fácil lidar com o trauma de uma enorme hemorragia pós-parto e uma histerectomia de emergência que salvou minha vida, mas compartilho minha história porque quero que as mulheres saibam que não estão sozinhas e que elas não têm de viver em isolamento.
    Sou muito grata à equipe de médicos que cuidou de mim e quero que os profissionais da área saibam que uma grama de compaixão faz muito mais diferença do que eles imaginam.”
    – Marianne, Durham, Carolina do Norte
  • Lindsay Askins/Spot of Serendipity
    “Mesmo quando os partos não ocorrem exatamente como o planejado, as mulheres com quem trabalho como doula e educadora de parto ficam muito mais contentes com suas experiências de parto quando se sentem respeitadas e apoiadas pela equipe médica.
    Aqueles que cercam a mulher na hora do parto devem se lembrar que o parto não acontece no vácuo. A maneira como tratamos e respeitamos a mulher na gravidez, no parto e no começo da maternidade afeta tanto as mulheres como suas famílias no longo prazo.
    O trauma no parto é em grande medida resultado do tratamento dispensado às mulheres, não do parto em si.
    Se parássemos de pensar no assunto como meramente uma “questão das mulheres” e mais como uma fundação para famílias felizes, trataríamos a gravidez e o parto com a gravidade que eles exigem.”
    – Emily, Nova York, NY

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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