NOTÍCIAS
02/10/2015 11:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Após 'se encantar pelo poder', Lula deve 'ser obrigado pelo PT' a ser candidato em 2018, diz FHC (VÍDEO)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) passou a política brasileira a limpo nesta quinta-feira (1º), em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, do SBT. No papo de 30 minutos, o tucano que comandou o Brasil entre 1994 e 2002 criticou, como esperado, o governo federal, o PT e, em certos pontos, o próprio PSDB.

Ao mesmo tempo, FHC se deu ao luxo de fazer previsões. Uma delas aconteceu quanto perguntado se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será, na sua visão, candidato à Presidência ds República em 2018. Para o tucano, ele “deve ser obrigado pelo PT” a isso.

“Se ele tiver condições pra ser, provavelmente, o partido vai obrigá-lo. Por quê? Porque tem que salvar o partido. E pra salvar o partido precisa de um nome forte, não é? Eu não sei se ele vai ter condições. Eu me refiro tanto a questões íntimas dele, querer ser e saúde, espero que tenha, mas também o que vai acontecer com todos esses processos que estão em marcha aí”.

Ainda sobre Lula, FHC reconheceu que o ex-presidente ainda possui força e influência, mas criticou o que chamou de “mudanças de comportamento”. Todavia, Cardoso não disse ter nenhuma rivalidade ou rusga especial com o petista, a quem conhece desde quando ia “à casa dele lá de pobre em São Bernardo”.

“(O Lula) deixou-se perder, encantado pelas delícias do poder e pela cultura tradicional brasileira. Acabou aceitando como normal o que ele sempre criticava”, emendou.

Já sobre a presidente Dilma Rousseff, FHC disse ver a nova reforma ministerial como uma “sobrevida”, porém disse que os maiores problemas ainda não estão sendo atacados. “Ela não tem agenda. Então, a agenda inverteu. O Congresso faz a agenda. Você vê, agora mesmo, há um impasse imenso, porque o presidente da Câmara quer uma agenda e o do Senado quer outra. O governo perdeu a agenda. Vai fragmentando a capacidade decisória do governo”.

Impeachment

Questionado sobre a possibilidade de abertura de um processo de impeachment contra Dilma, FHC afirmou que só seria favorável caso houvesse “alguma coisa concreta”. Além disso, a viabilidade do processo dependeria da força das ruas, como ocorreu com o ex-presidente Fernando Collor em 1992. Contudo, o tucano disse não ter “examinado com cuidado” o tema para poder se posicionar mais firmemente.

Já sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e aos posicionamentos do PSDB, o ex-presidente tucano não se esquivou. Sobre o peemedebista, FHC acredita que a sua posição ficará mesmo insustentável caso ele se torne réu no pedido feito ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Uma vez aceita a denúncia, fica muito difícil se manter na presidência de qualquer instituição”, disse.

Falando do PSDB, FHC não perdeu a oportunidade de exaltar que o atual momento de combate à corrupção só foi possível graças a medidas tomadas ainda durante o seu governo. Ele elogiou o juiz federal Sérgio Moro – que conduz as apurações da Operação Lava Jato – e disse que, quanto aos temas do momento na política, os tucanos precisam avaliar o cenário a curto, médio e longo prazo.

“(Em caso de impeachment), o PSDB vai ter que calcular, por que o problema é o seguinte: ao mudar uma pessoa, no caso a presidente da República, você não muda as dificuldades do País”, analisou, para emendar mais adiante: “Apesar de tudo, (o PSDB) é o que tem aí de melhor”.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost