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30/09/2015 10:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Petrobras anuncia aumento do preço da gasolina em 6% e do diesel em 4%

Estadão Conteúdo/iStock

A Petrobras anunciou na noite desta terça-feira, 29, um reajuste nos preços da gasolina e do diesel, válidos a partir desta quarta-feira, 30. O preço da gasolina nas refinarias subirá 6% e o do diesel, 4%.

Esse é o primeiro reajuste de preços nos combustíveis na gestão de Aldemir Bendine, que assumiu a petroleira em fevereiro com a missão de recuperar a empresa.

Ainda não há estimativas oficiais sobre o impacto do reajuste para os consumidores. O último reajuste de preços de combustíveis, anunciado em novembro pela ex-presidente Graça Foster, gerou, na época, impacto entre 2% e 2,5%.

De acordo com comunicado da empresa, os preços sobre os quais incidem o reajuste não incluem tributos federais, como Cide e PIS/Cofins. Isso significa que a alíquota dos impostos vai incidir sobre o novo valor, o que pode gerar um impacto maior na bomba de gasolina.

Mas, segundo o economista-sênior do Haitong, Flávio Serrano, a alta da gasolina deve trazer aumento de 4% a 4,5% nos preços do combustível nas bombas.

Com isso, o impacto do reajuste no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro deve ser 0,15 ponto porcentual.

Além do repasse da alta nas refinarias, o preço da gasolina deve subir novamente por conta do reajuste do etanol até o fim do ano, quando começa a entressafra da cana-de-açúcar.

Com oferta menor, o preço do etanol anidro, misturado em 27% à gasolina, deve aumentar. Com o impacto do reajuste do etanol, a gasolina deve ter um reajuste total de 5% a 6% até o fim do ano pelos cálculos do economista e gerar um impacto 0,25 pp no IPCA.

Motivos

Segundo uma fonte da empresa à Reuters sob a condição de anonimato, o reajuste de preços de combustíveis tem motivação financeira por conta do valores mais elevados dos produtos no exterior em função da alta do dólar.

A fonte disse ainda que a Petrobras não descarta novo aumento do preço de combustíveis até o final do ano, caso o dólar continue se fortalecendo frente ao real.

O reajuste, acrescentou a fonte, visa dar sinalização positiva aos acionistas com relação à política de paridade de preços de combustíveis ante mercado externo.

Situação frágil

A decisão foi tomada pela diretoria da empresa na noite desta terça-feira, após reunião em que a pauta principal foi a frágil situação financeira da estatal, agravada pelo efeito da depreciação cambial.

Também foram analisadas propostas para novo corte de investimentos. Em junho, a companhia anunciou redução de 37% nos investimentos no período entre 2015 e 2019. Um novo corte, entretanto, não foi definido.

O reajuste é também uma tentativa de sinalizar ao mercado que a companhia possui autonomia para definir sua política de preços. Analistas não esperavam um reajuste neste ano, apesar da fragilidade da companhia.

A avaliação é que o cenário político instável, a baixa popularidade do governo e a crise econômica retardariam a decisão.

Apesar da preocupação com a economia, prevaleceu o diagnóstico sobre a gravidade da situação da companhia. No dia 10 de setembro, a estatal perdeu o grau de investimento da agência de classificação de risco Standard &Poor’s, afetando seu acesso ao crédito no mercado internacional.

Desde então, com o agravamento da crise política, a alta do dólar para acima dos R$ 4 agravou ainda mais a situação da petroleira, uma vez que 80% de sua dívida é cobrada em moeda estrangeira. As projeções indicam que a dívida da companhia pode ultrapassar os R$ 500 bilhões.

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