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30/09/2015 11:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Dilma decide mandar Aloizio Mercadante para Ministério da Educação e colocar Jaques Wagner na Casa Civil

Montagem/Estadão Conteúdo

A presidente Dilma Rousseff decidiu substituir o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante (PT), na reforma da equipe prevista para ser anunciada nesta quinta-feira (1º).

Diante do agravamento da crise política, Dilma resolveu dar um sinal mais forte de que pretende "recomeçar" o segundo mandato, ampliando as mudanças e mexendo no coração do governo.

A informação sobre a troca na Casa Civil foi confirmada ao jornal O Estado de S. Paulo por dois interlocutores da presidente.

Na noite de terça-feira (29), Dilma teve uma longa conversa com Mercadante. Quem assumirá a Casa Civil será o atual ministro da Defesa, Jaques Wagner (PT).

Mercadante, porém, não deixará o governo. O último desenho da reforma ministerial prevê a volta do homem forte do Palácio do Planalto para o Ministério da Educação, pasta que ele ocupou durante dois anos (de janeiro de 2012 a janeiro de 2014) e que hoje é comandada por Renato Janine Ribeiro.

Depois de muitas e idas e vindas, Dilma concluiu que Mercadante está desgastado no relacionamento com o Congresso.

Apesar de resistir muito a essa mudança, ela avaliou que a permanência do principal auxiliar na Casa Civil não contribui para a recomposição da base aliada.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) - a quem cabe aceitar ou não os pedidos de impeachment contra Dilma - ,é um dos principais críticos de Mercadante.

Correção de rumos

Há tempos o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem aconselhando Dilma a tirar Mercadante e ampliar a reforma no primeiro escalão, para transmitir a imagem de que tem a humildade de "começar tudo de novo" e corrigir rumos do governo, mesmo sacrificando o PT.

Na tentativa de salvar o mandato de Dilma e aprovar o pacote fiscal para reequilibrar as contas públicas, a ideia é ceder cargos ao PMDB, fiel da balança para barrar eventual processo de impeachment.

Dilma ainda conversará nesta quarta (30), com líderes do PT e do PMDB, na tentativa de resolver os principais impasses que travam a reforma.

Se tudo correr como o planejado, a ideia da presidente, agora, é transferir o ministro Aldo Rebelo (PC do B) do Ministério de Ciência e Tecnologia para a Defesa.

Apesar de comunista, Aldo sempre teve ótimo relacionamento com os militares.

O PMDB deve ter o espaço ampliado e ficar com sete ministérios - hoje tem seis.

Ficou acertado que a bancada do partido na Câmara, comandada por Leonardo Picciani (RJ), comandará as pastas da Saúde e dos Portos.

Na manhã desta terça-feira, Dilma demitiu o ministro da Saúde, Arthur Chioro (PT), por telefone.

Chioro foi indicado para o cargo pelo prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, com a bênção de Lula.

O mais cotado para a vaga de Chioro é o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI). Consta da lista apresentada pelo PMDB, ainda, o deputado Manoel Júnior (PMDB-PB), mas a indicação perdeu força depois que o governo descobriu que ele não só pediu a renúncia de Dilma como criticou o programa Mais Médicos.