LGBT
28/09/2015 12:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Jovem transgênero denuncia perseguição de militares em episódio de transfobia em SP

Montagem/Reprodução Facebook

A jovem Marianna Lively, de 17 anos, usou a sua página no Facebook para denunciar um episódio de transfobia da qual teria sido alvo em São Paulo. Segundo ela, a sua ida ao quartel do Exército, para fins de alistamento militar, teria dado origem a ligações preconceituosas e até o compartilhamento de informações da trans.

“Esses desconhecidos que estavam ligando, caçoavam de mim por eu ser trans, já outros me diziam ter gostado de mim e queriam deixar telefone para eu entrar em contato", escreveu Marianna, cujo nome de registro é David. Tudo começou na últimas quarta-feira (23), horas após ela dizer que compareceu a um quartel para realizar o alistamento obrigatório.

Depois de receber ligações inclusive de outros Estados e ser avisada que seus dados estavam nas redes sociais, ela voltou ao quartel e questionou o capitão da base. De acordo com Marianna, ele teria “pedido desculpas pelo transtorno”, complementando que o soldado responsável pelo vazamento seria punido.

Sou Marianna (nome social) sou transgênera, tenho 17 anos. Fui me apresentar no quartel no dia 23/09/2015 como meu dever...

Posted by Marianna Lively on Domingo, 27 de setembro de 2015

As explicações não convenceram a trans, que enfrentou inclusive dificuldades para registrar um boletim de ocorrência. “Pelo o que o delegado me informou, eu teria de ir no batalhão de policia do exército abrir um boletim interno, para haver punição”, contou Marianna, que prometeu “não deixar passar batido”.

Até às 12h desta segunda-feira (28) a postagem da trans já estava com mais de 3,2 mil compartilhamentos. Em outra postagem, ela agradeceu o apoio que vinha recebendo e reforçou estar buscando Justiça para o seu caso.

Obrigada pelos Parabéns que recebi e por todo apoio que tenho recebido, fico realmente feliz em saber que tem pessoas...

Posted by Marianna Lively on Domingo, 27 de setembro de 2015

Procurada pelo Brasil Post, a assessoria de imprensa do Exército não retornou até a publicação desta matéria.

ATUALIZAÇÃO EM 29/09/2015, às 6h50: A assessoria do Exército enviou nota em que nega qualquer discriminação e que já está ciente do caso de Marianna, tendo tomado "as medidas administrativas necessárias", embora não diga quais punições aos responsáveis serão essas. Segue a íntegra do comunicado:

1. O Exército Brasileiro (EB) não discrimina qualquer pessoa, em razão da raça, credo, orientação sexual ou outro parâmetro. O respeito ao indivíduo e à dignidade da pessoa humana, em todos os níveis, é condição imprescindível ao bom relacionamento de seus integrantes com a sociedade. O EB tem conhecimento do fato que envolveu a divulgação, sem autorização, das informações da pessoa em questão, durante o processo do Serviço Militar Obrigatório e já tomou as medidas administrativas necessárias para o esclarecimento do ocorrido e os envolvidos serão responsabilizados por suas ações, dentro do que prescreve a legislação vigente.

2. O Exército não compactua com este tipo de procedimento e empenha-se, rigorosamente, para que eventuais desvios de conduta, sejam corrigidos, dentro dos limites da lei.

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