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28/09/2015 18:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Antidepressivo popular é ‘ineficaz e inseguro' para jovens, dizem pesquisadores

Getty Images

Um antidepressivo que costuma ser receitado para adolescentes pode ser “ineficaz e inseguro” para as populações que ele deveria ajudar, segundo uma nova análise de um estudo feito 14 anos atrás.

A pesquisa , publicada em meados de setembro na revista THE BMJ, contradiz resultados anteriores segundo os quais a paroxetina – vendida sob os nomes comerciais de Paxil, Aropax e Seroxat – é segura para pessoas com menos de 25 anos.

A nova pesquisa descobriu que o remédio pode ser associado com incidentes ligados a suicídio, incluindo pensamentos suicidas e tentativas de suicídio, e não oferece vantagens em relação a placebos.

A análise, realizada por uma equipe internacional de pesquisadores liderada pelo professor Jon Jureidini, oferece novos insights sobre o Estudo 329, um teste altamente controverso conduzido em 2001 pela GlaxoSmithKline, a fabricante do Paxil. Na época, a empresa se chamava SmithKline Beecham.

Cientistas independentes criticaram os testes logo depois da publicação dos resultados, questionando a pesquisa e afirmando que a descoberta de efeitos colaterais perigosos tinha sido minimizada.

Jureidini e sua equipe fizeram a primeira análise externa das quase 77.000 páginas de documentos relacionadas ao teste.

Eles descobriram que o estudo original pode de fato ter minimizado a prevalência de incidentes ligados a suicídios, usando um sistema de codificação que levou a menos jovens serem identificados como suicidas.

O estudo 329 observou que 5 dos 275 adolescente do estudo demonstraram sinais de comportamento suicida, enquanto a nova análise encontrou pelo menos 12.

A discrepância é estranha disse ao The Washington Post David Healy, co-autor do novo estudo.

Ela parece ter ocorrido porque o estudo de 2001 reclassificou tentativas sérias de suicídio como “instabilidade emocional” uma frase que se refere à tendência da pessoa de rir ou chorar inesperadamente.

“Não é preciso ser especialista para encontrar [esses casos]”, afirmou Healy. “Na verdade, é preciso ser um especialista excepcional para evitar encontrá-los.”

Desde 2004, as embalagens de Paxil tem uma advertência obrigatória de que o remédio pode aumentar o risco de suicídio entre crianças; em 2007 o aviso foi estendido para pessoas de até 25 anos.

A paroxetina é considerada benéfica para adultos com mais de 25 anos que sofrem de depressão.

Em 2012, a GlaxoSmithKline se declarou culpada e pagou uma multa de 3 bilhões de dólares por promover o Paxil e outros remédio para usos não-aprovados.

Nove dos autores do estudo de 2001 lançaram um comunicado defendendo a pesquisa.

Eles indicam planos de escrever uma carta aprofundada refutando as afirmações do artigo da BMJ, mas disseram que não há prazo para a apresentação do documento, pois “vai ser necessário um trabalho significativo para que ele seja rigoroso”.

“Descrever nosso teste como ‘mal reportado’ é pejorativo e errado, tanto em termos das melhores práticas de pesquisa da época como em termos de uma retrospectiva do ponto de vista das melhores práticas atuais”, escrevem eles.

A decisão da GlaxoSmithKline de oferecer os dados do Estudo 329 para os pesquisadores reflete o compromisso da empresa com a transparência, disse a empresa num comunicado enviado ao The Huffington Post.

O comunicado reconhece que “há um risco maior de suicídio em pacientes pediátricos e adolescentes tratados com antidepressivos como a paroxetina” e afirma que o fato é “amplamente conhecido”.

O The New York Times observa que a nova análise representa uma mudança nos hábitos científicos, apontando para uma nova era de autoexame. O número de retratações de artigos científicos explodiu nos últimos anos, e os autores do novo estudo pedem a liberação de dados e protocolos dos testes preliminares.

Tal liberação, afirmam eles, aumentaria o rigor da evidência científica e ofereceria uma crítica isenta dos remédios receitados para as crianças.

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