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23/09/2015 15:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Volkswagen: de aluna exemplar a estelionatária

Alexander Koerner via Getty Images
WOLFSBURG, GERMANY - SEPTEMBER 23: General view of Volkswagen Group headquarters during sunset on September 23, 2015 in Wolfsburg, Germany. Volkswagen CEO Martin Winterkorn has today resigned from all of his duties. Winterkorn and other members of the supervisior board met today at the headquarters to discuss the Volkswagen Diesel emission scandal, which affects 11 million vehicles worldwide. (Photo by Alexander Koerner/Getty Images)

Poucas semanas atrás a Volkswagen era motivo de inveja para a indústria automotiva. Em julho, a empresa alemã ultrapassou a Toyota e se tornou a maior montadora do mundo. E, na semana passada, a companhia apresentou modelos novos e cintilantes no Salão do Automóvel de Frankfurt.

Tudo isso já foi esquecido. Agora a mídia só quer saber do escândalo dos motores a diesel sujos. Manipulação. Fraude. Pior ainda: o governo alemão talvez soubesse dessas práticas fraudulentas.

O que estamos testemunhando é nada menos que um dos maiores escândalos econômicos da história da Alemanha.

O caso não gera apenas incerteza na maior indústria alemã – ele também mancha a imagem da nossa economia. Confiabilidade e credibilidade – atributos centrais da nossa indústria automotiva – parecem implausíveis diante desse escândalo.

O mundo ridiculariza com razão essa potência automobilística com a hashtag #dieselgate: de empresa modelo a estelionatária – mentiras e derrocadas desse tipo costumam ser domínio dos grandes bancos.

Estupefatos, examinamos as evidências, que são reveladas aos poucos. O número de carros adulterados chega a 11 milhões, o que significa que um sistema deve ter sido instalado intencionalmente para executar uma fraude dessa escala.

Mas o choque só realça uma tendência que há tempos vem ganhando força. Em alguns anos, vamos olhar para trás e perceber que a indústria automotiva alemã já passou de seu ápice.

Os consumidores dos países ocidentais ricos estão comprando menos carros. Muitos países emergentes enfrentam dificuldades econômicas. E o carro é considerado cada vez menos um símbolo de status.

Ao mesmo tempo, empresas como Apple e Google estão entrando nesse mercado. A propósito, revelou-se que a Apple planeja lançar um carro mais cedo que se esperava.

Os defensores de motores elétricos e híbridos são empresas asiáticas, tais como a chinesa BYD ou a japonesa Toyota.

É claro que os produtores e distribuidores tradicionais dão risada de concorrentes como Tesla, Apple e Google. Talvez os executivos da Nokia também tenham dado risada do primeiro iPhone – mas hoje eles não tem mais nenhuma relevância.

A Apple já mostrou que tem condições de virar uma indústria inteira de cabeça para baixo. Há muitas chances de que a empresa repita o feito.

Daqui alguns anos, talvez, vamos olhar para trás e perceber que o escândalo da Volkswagen não balançou a indústria automotiva alemã, mas sim acelerou seu declínio.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost Alemanha e traduzido do alemão.

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