MULHERES
23/09/2015 14:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Conheça as 'Black Mambas', o grupo de mulheres que combate o tráfico de animais na África do Sul

As Black Mambas lutam contra o tráfico de animais na África do Sul, que atingiu um nível “crítico” recentemente.

CRÉDITO: BLACK MAMBA ANTI-POACHING UNIT /FACEBOOK

Integrantes da Unidade Contra Caça Ilegal do Black Mamba, no nordeste da África do Sul.

Um grupo de guardas florestais, em sua maioria mulheres, está deixando sua marca contra a prática de caça ilegal em uma das maiores reservas de caça da África — e o mundo está percebendo.

A Unidade Contra Caça Ilegal do Black Mamba é um grupo de 26 guardas florestais que patrulham o Balule Private Game Reserve, uma reserva privada localizada no gigante Parque Nacional Kruger, na África do Sul. Elas protegem a vasta diversidade de vida selvagem — rinocerontes, elefantes, hipopótamos, entre outras espécies — contra caçadores ilegais e educam as comunidades vizinhas sobre os esforços de conservação da reserva.

Está dando resultado. Fundado em 2013, o Black Mamba destruiu mais de dez acampamentos de caçadores e reduziu as armadilhas e práticas de envenenamento em 76%, de acordo com o site do grupo.

Um comunicado divulgado no dia 8 de setembro pelas Nações Unidas informa que a unidade ajudou a prender seis caçadores ilegais e remover mais de mil armadilhas na reserva. Por essas razões, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) concedeu ao Black Mamba o prêmio Campeões da Terra de 2015.

“Suas muitas [ações] bem-sucedidas são o resultado de impressionante coragem e determinação para fazer a diferença em sua comunidade”, disse em um comunicado Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma. “As Black Mambas são uma inspiração não apenas localmente, mas em todo mundo para aqueles que trabalham para eliminar o flagelo do comércio ilegal de vida selvagem.”

A unidade foi criada por Craig Spencer, diretor da reserva e ecologista. Segundo o jornal britânico The Guardian, as guardas florestais da unidade são mulheres com diploma de segundo grau e que estavam desempregadas. As integrantes participaram de um rigoroso programa de treinamento de combate e rastreamento que durou seis semanas.

Se as Black Mambas identificam um caçador ilegal, que está normalmente armado, pedem uma equipe de apoio com guardas também armados.

CRÉDITO: AP PHOTO/JON GAMBRELL, ARQUIVO

Foto de arquivo (13 de dezembro, 2011): Um rinoceronte bloqueia a passagem de uma estrada quando turistas se aproximam em uma caminhonete nas imediações do Parque Nacional Kruger, próximo a Hazyview, África do Sul.

Os guarda florestais dedicados a inibir a ação de caçadores ilegais na área têm sido normalmente homens, mas Spencer disse ao programa de TV norte-americano PBS NewsHour, em agosto, que a unidade é na verdade mais eficiente do que os patrulhas masculinos. As integrantes da unidade são vistas como heroínas pelas mulheres jovens em suas comunidades.

Segundo o grupo Save the Rhino, que atua em defesa dos rinocerontes, a África do Sul abriga a maior população da espécie no mundo, embora a caça ilegal tenha atingido um nível “crítico” nos últimos anos. Estima-se que, caso a caça ilegal não seja combatida, as mortes de rinocerontes vão superar o número nascimentos. Só na África do Sul, um recorde de 1.215 rinocerontes foram mortos no ano passado.

A caça ilegal tem sido impulsionada pela crescente demanda por chifres de rinocerontes em países asiáticos. Como noticiado anteriormente pela agência Reuters, o chifre de rinoceronte é usado no Vietnã e na China como um ingrediente na medicina tradicional e pode custar US$ 65 mil (R$ 256 mil) por quilo, um valor superior ao do ouro.

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