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21/09/2015 15:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Brasil caminha para ser país com maior número de presos, alerta diretora do Depen

Robson Fernandjes/Estadão Conteúdo

O Brasil está numa marcha de encarceramento sem precedentes mundiais. O alerta é da diretora do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Valdirene Daufemback, que participou nesta quinta-feira (17) de audiência na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado.

Segundo ela, o País está em quarto lugar no ranking de nações com maior número de presos, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Rússia. Todavia, os três líderes diminuíram suas populações prisionais entre 5% e 13% nos últimos anos e, por aqui, houve acréscimo de 33%.

"Banalizamos por completo o uso dessa ferramenta que é a prisão. Estamos num movimento de superencarceramento sem precedentes. É o país no qual mais cresceu o número de presos e daqui a 50 anos teremos o primeiro lugar", previu.

Segundo ela, é preciso agora pensar num mecanismo para trazer tanta gente presa de volta ao convívio social, principalmente diante da seletividade dos aparatos policial e judiciário.

"Precisamos falar disso, pois existe uma corrente mundial tentando dizer que esse caminho não está funcionando. Não garante preceitos de segurança e paz social. Hoje no país há esse mito de que justiça se iguala à prisão", argumentou Valdirene, após lembrar que, no primeiro semestre de 2014, o Brasil ultrapassou a marca de 600 mil pessoas privadas de liberdade.

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Fracasso

Para o senador Donizeti Nogueira (PT-TO), o sistema prisional brasileiro revela que houve um fracasso de todos e, se não houver mudança, o País continuará desperdiçando oportunidades de socialização e "amontoando pessoas".

"É muito simples pensar que vamos gerar segurança trancando mais gente, inclusive menores, com essa proposta de redução da maioridade penal. É preciso humanização do sistema prisional", defendeu.

Livro

A reunião da Comissão de Direitos Humanos marcou também o lançamento do livro Liberdade atrás das grades - pedagogia social, política pública e cultura de paz, de Dalila Lubiana, que relatou suas experiências voluntárias com presidiárias no Espírito Santo.

Por meio de práticas de relaxamento, ioga, meditação e dinâmicas de grupo, ela disse que conseguiu levar um pouco mais de tranquilidade a centenas de detentas capixabas. Constatou-se, segundo relatou, mudança de comportamento e melhora das condições psicológicas das presas, permitindo-lhes enfrentar melhor a vida no cárcere.

A ex-senadora Ana Rita elogiou a iniciativa da escritora e disse que esse trabalho não deveria ser voluntário, mas uma política pública.

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