ENTRETENIMENTO
20/09/2015 09:25 -03 | Atualizado 11/10/2017 17:04 -03

11 livros infantis que discutem gênero e orientação sexual

A presença desses livros e dos assuntos que eles levantam na educação brasileira têm sido o centro de debates calorosos na sociedade.

Divulgação/Companhia das Letras

A garotinha Olívia tem dois pais e a curiosidade de saber como vai aprender a usar salto alto se não há uma mulher morando em sua casa.

Fernanda quer jogar futebol com um grupo de meninos, mas eles a rejeitam. Não entendem como uma menina pode praticar esse esporte.

Essas duas questões vêm de livros infantis e infanto-juvenis que abordam orientação sexual e gênero. A primeira vem de Olívia Tem Dois Papais, de Márcia Leite (Companhia das Letrinhas, 2010). A segunda, de Menina Não Entra, de Telma Guimarães Castro Andrade (Editora do Brasil, 2007).

A presença desses livros e dos assuntos que eles levantam na educação brasileira têm sido o centro de debates calorosos na sociedade.

Em recente votação, os vereadores de São Paulo decidiram que essas questões não devem ser abordadas na escola. Setores religiosos da sociedade – que têm usado o termo "ideologia de gênero" para se referir à ideia de incluir esse debate na educação – se manifestaram a favor da decisão.

Uma estudante de 12 anos, na sanção do plano municipal de educação, colocou o prefeito Fernando Haddad contra a parede ao dizer: "Existem famílias com dois pais, com duas mães e na minha escola eu convivo com muitas pessoas que são homossexuais e bissexuais. Então eu penso, por que omitir a palavra 'gênero' nas escolas se ele já é tão presente nas nossas vidas?"

"A educação na escola não concorre com a da família", explica a psicóloga social Maria Sílvia Ribeiro, da PUC-SP. "Elas se complementam. Educação é responsabilidade do Estado e da família."

Segundo a especialista, a presença desses livros em sala de aula não implica apenas na discussão de preconceitos de gênero e orientação sexual, mas "principalmente no direito da criança ao conhecimento", diz.

"Crianças têm sexo e gênero. A sexualidade faz parte da vida e do corpo desde o nascimento. Crianças sabem fazer reflexão, questionar e se posicionar. É mais do que justo que elas possam discutir essas relações."

O HuffPost Brasil preparou para você uma lista com alguns desses livros. Você pode vê-la abaixo:

  • 'Menina Não Entra', de Telma Guimarães Castro Andrade
    'Menina Não Entra', de Telma Guimarães Castro Andrade
    Reprodução
    Um grupo de amigos quer formar um time de futebol, mas não aceitam que Fernanda se junte a eles – porque ela é menina, e meninas não jogam futebol. Mas quando Fernanda lhes mostra que é boa jogadora, percebem que se enganaram e preconceito não ajuda ninguém a ganhar. As ilustrações são de Ellen Pestili.
  • 'O Fado Padrinho, o Bruxo Afilhado e Outras Coisinhas Mais', de Anna Claudia Ramos
    'O Fado Padrinho, o Bruxo Afilhado e Outras Coisinhas Mais', de Anna Claudia Ramos
    Reprodução
    Para o menino Luar, a ideia de se tornar um fado madrinho é simplesmente perfeita para realizar seu desejo de ajudar todas as pessoas do mundo que precisam de uma forcinha. Ele não se importa se ser fada madrinha é "coisa de menina". Ilustrações de Tatiana Paiva.
  • 'Olívia Tem Dois Papais', de Márcia Leite
    'Olívia Tem Dois Papais', de Márcia Leite
    Divulgação
    A curiosa menina Olivia tem dois pais. Um brinca de bonecas com ela; o outro sabe cozinhar. Ela fica intrigada com isso. Surge outra dúvida: Quem vai lhe ensinar a usar maquiagem e salto alto se nenhuma mulher mora com eles três? Ilustrações de Taline Schubach. Companhia das Letras.
  • 'Do Jeito que a Gente É', de Márcia Leite
    'Do Jeito que a Gente É', de Márcia Leite
    Reprodução
    O adolescente Chico quer assumir para a família que é gay. Béa detesta sua aparência e quer aprender a se aceitar. A história dos dois personagens é contada com sensibilidade, leveza, emoção e sem clichês.
  • 'Meus Dois Pais', de Walcyr Carrasco
    'Meus Dois Pais', de Walcyr Carrasco
    Reprodução
    O pai e a mãe de Naldo vão se divorciar. O garoto vai morar com o pai e um amigo dele, Celso, embora todo mundo seja contra isso. Tudo vai muito bem até dizerem para Naldo que seu pai é gay. Ele fica desnorteado, mas uma conversa resolve a situação: o menino entende que isso não muda o amor do pai por ele. Ilustrações de Laurent Cardon.
  • 'A História de Júlia e Sua Sombra de Menino', de Christian Bruel, Anne Galland e Anne Bozellec
    'A História de Júlia e Sua Sombra de Menino', de Christian Bruel, Anne Galland e Anne Bozellec
    Reprodução
    Os pais de Júlia não gostam nada, nada dos modos da filha: dizem que ela se parece com um menino em tudo que faz. Quando a sombra de Júlia fica igualzinha a de um menino, ela se sente triste e começa a questionar sua identidade.
  • 'Meu Amigo Jim', de Kitty Crowther
    'Meu Amigo Jim', de Kitty Crowther
    Reprodução
    Os amigos Jim e Jack são uma gaivota e um melro, respectivamente. Eles passam muito tempo juntos e as outras aves acham isso bem esquisito – mas Jim e Jack não estão nem aí para isso. A autora e ilustradora ainda fala sobre preconceito racial e leitura em Meu Amigo Jim.
  • 'Ceci Tem Pipi?', de Thierry Lenain
    'Ceci Tem Pipi?', de Thierry Lenain
    Reprodução
    Para Max sempre tudo foi muito simples: existem as pessoas "Com-pipi" e as pessoas "Sem-pipi". Os Com-pipi são considerados os mais fortes, mas Max se confunde com sua nova coleguinha de escola, Ceci. Ela gosta de fazer tudo o que meninos fazem. O garoto começa a se perguntar se a Ceci tem é dos Com-pipi, assim como ele. Ilustrações de Delphine Durand.
  • 'Olivia Não Quer Ser Princesa', Ian Falconer
    'Olivia Não Quer Ser Princesa', Ian Falconer
    Reprodução
    A porquinha Olívia é diferente de suas amigas. Todas elas querem ser princesas, adoram cor-de-rosa e varinha de condão. Olívia começa a se perguntar por que todo mundo tem que pensar do mesmo jeito, ser a mesma coisa e, o mais importante, o que ela quer ser?
  • 'Amor Entre Meninas', de Shirley Souza
    'Amor Entre Meninas', de Shirley Souza
    Divulgação
    Com leveza e dinamismo, a autora responde diversos questionamentos sobre sexualidade que garotas fazem a si mesmas na adolescência. Achar uma pessoa do mesmo sexo bonita não significa que você é gay. E, se for, fique tranquila: tem nada de errado nisso.
  • 'Tal Pai, Tal Filho', de Georgina Martins
    'Tal Pai, Tal Filho', de Georgina Martins
    Reprodução
    Um menino decide se tornar bailarino, mas, para isso, precisa enfrentar o preconceito de seu próprio pai, que sempre lhe contou histórias de homens "cabras-machos" de sua terra. Ilustrações de Sergio Serrano.

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