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18/09/2015 14:40 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Para evitar mais desgate, Mercadante fica, mas perde poderes

Montagem/Estadão Contéudo

Após cogitar trocar o comando da Casa Civil, a presidenteDilma Rousseff deve manter Aloizio Mercadante na chefia da pasta. A decisão foi sinalizada em encontro reservado entre o ex-presidenteLuiz Inácio Lula da Silva e o braço direito da mandatária. Na reunião, eles trataram da reforma administrativa no governo, que deve ser anunciada em breve.

Desde meados de 2014 que o ex-presidente, petistas e integrantes do PMDB pressionam a presidente para colocar na pasta algum político mais habilidoso. Há reclamações de que Mercadante não cumpre palavra, não sabe negociar e é arrogante com os aliados, além de blindar a presidente, tornando-a inacessível.

Dilma, no entanto, sempre foi fiel ao vizinho do quarto andar no Palácio do Planalto. Há cerca de duas semanas, ela estudou a possibilidade de atender aos pedidos de mudanças. Entre os cotados para o cargo estavam a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e o ministro da Defesa, Jaques Wagner.

Como a hipótese foi descartada, a Casa Civil será esvaziada, Mercadante perderá poderes e a presidente planeja escalar o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, e o assessor especial da Presidência, Giles Azevedo, para fazer a articulação política do governo. Em 2014, Berzoini comandou a Secretaria de Relações Institucionais e foi bem avaliado por aliados e integrantes da oposição.

Em encontro com a presidente, Lula disse que não apoiaria a troca do comando da Casa Civil pela ministra Kátia Abreu. Segundo ele, o ideal seria Wagner.

Reforma ministerial

Na quinta-feira (17), na primeira conversa Dilma após a divulgação do pacote fiscal, Lula da Silva pediu a ela que faça uma reforma ministerial mais ampla, para garantir sustentação política no Congresso e evitar o processo de impeachment. Lula disse a Dilma que ela precisa aumentar o espaço dos aliados fiéis e diminuir os cargos dos traidores, porque somente assim conseguirá aprovar o ajuste e barrar iniciativas para afastá-la do Planalto.

Na lista dos partidos que comandam ministérios e votaram contra medidas propostas pela equipe econômica na primeira fase do ajuste estão o PR, que controla os Transportes; o PDT, no Trabalho; e o PRB, no Esporte. A avaliação é de que tudo tem de ser feito para impedir que um pedido de impeachment seja aceito na Câmara comandada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ) porque, se isso ocorrer, será muito difícil deter sua tramitação com a pressão das ruas.

Apesar de defender mudanças na política econômica e achar que Dilma deveria ter adotado outro caminho para reequilibrar o Orçamento, Lula disse que é necessário "pôr no Ministério quem ajuda o governo no Congresso" para aprovar o quanto antes o pacote fiscal, mesmo se houver recuos estratégicos, como um prazo menor de vigência da CPMF.

(Com Estadão Conteúdo)

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