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18/09/2015 13:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

Croácia diz ter 'coração, mas também mente' e não poder receber mais refugiados

STR via Getty Images
Migrants board through a window a train heading to Zagreb at a railway station, near the official border crossing between Croatia and Serbia, near the eastern-Croatian town of Tovarnik, on September 18 2015. Migrants have begun carving a new route into the Schengen area, travelling via Croatia, after neighbouring Hungary, overwhelmed by the refugee traffic, fenced off its own border with Serbia. For the moment, Croatia copes well with the influx of refugees, being still able to keep evidence of the people arriving and transporting them by train to refugee transit centers closer to nation's capital, Zagreb. AFP PHOTO /STRINGER (Photo credit should read STR/AFP/Getty Images)

Depois de se ver subitamente no caminho da maior migração na Europa em décadas, a Croácia declarou nesta sexta-feira (18) que não pode mais receber refugiados e que os fará seguir adiante, desafiando a União Europeia a encontrar uma política para acolhê-los.

Os migrantes, a maioria de países do Oriente Médio, da África e da Ásia devastados pela guerra, tomaram o rumo da Croácia a partir de quarta-feira (16), depois que a Hungria bloqueou o que era sua principal rota com uma cerca de metal e o envio do batalhão de choque para sua fronteira com a Sérvia.

"Não podemos mais registrar e acomodar estas pessoas”, disse o primeiro-ministro croata, Zoran Milanovic, em uma coletiva de imprensa na capital Zagreb. “Eles receberão comida, água e assistência médica e depois podem seguir em frente. A União Europeia precisa saber que a Croácia não irá se tornar um ‘ímã’ para refugiados. Temos corações, mas também temos mentes.”

A chegada de 13 mil pessoas em 48 horas, muitas cruzando campos de cultivo e algumas se esquivando da polícia, se mostrou excessiva para um dos países menos prósperos da UE em meio a uma crise que dividiu o bloco de 28 nações, que luta para vislumbrar uma resposta.

A cifra recorde de 473.887 refugiados e migrantes cruzou o Mar Mediterrâneo rumo à Europa até o momento este ano, afirmou a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a maioria deles proveniente de países em conflito, como a Síria, em busca de uma vida melhor e mais segura.

Centenas de milhares deles vêm viajando a pé pela península balcânica para chegar a países europeus mais ricos no norte e no oeste, especialmente a Alemanha, que se prepara para aceitar 800 pedidos de asilo em 2015.

Mas esse influxo pegou a UE no contrapé, e o bloco não conseguiu acordar uma abordagem em comum para lidar com a maior onda migratória na Europa ocidental desde a Segunda Guerra Mundial.

A Hungria agiu por conta própria e fechou nesta semana a principal via de acesso ao interditar sua divisa com a Sérvia, obrigando milhares de migrantes espalhados pelos Bálcãs a procurar caminhos alternativos.

A Croácia, que oferece uma das poucas rotas terrestres para a Alemanha contornando a Hungria, de repente se viu repleta de migrantes. O país, que é o membro mais novo da UE, já fechou quase todas suas estradas nas fronteiras.

O ministro do Interior, Ranko Ostojic, afirmou que, se a crise continuar, “será uma questão de tempo” até a divisa ser totalmente interditada, embora Milanovic tenha questionado se isso bastará para afastar os refugiados.

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