MULHERES
14/09/2015 22:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Musa? Maria Sharapova quer que mulheres lutem sempre por igualdade no esporte

A tenista russa perdeu a Copa Rogers (no Canadá) e o Western & Southern Open (em Cincinatti, Estados Unidos). Acabou fora das quadras também do US Open, em Nova York. Mas antes que ela pudesse focar no último Grand Slam da temporada, Sharapova teve tempo de aparecer no evento American Express “Rally On The River”, pré US Open, em Nova York.

Foi lá onde The Huffington Post entrevistou a tenista. Número 3 no ranking WTA, a tenista falou sobre vários temas, tais como o seu inesperado amor por drogarias e, claro, o Grand Slam de Serena Williams que está em curso.

Você é membro da American Express há mais de uma década. Qual a compra que mais se arrepende de ter feito no seu cartão de crédito?

Maria Sharapova: Adoro andar pelas drogarias. Eu sei que é bem aleatório, mas eu gosto de descobrir pequenos produtos de beleza que provavelmente nunca usarei. Eu os coloco na minha gaveta e jamais uso. Não há nada em especial na lista, mas isso é uma coisa que eu me arrependo depois de ter feito.

A tentação de fazer comprinhas nas drogarias é muito, muito real.

Sim! Em várias revistas têm diferentes grampos de cabelo.

Quais são seus produtos favoritos ao fazer compras nas drogarias?

Um pouco de tudo. Eu gosto de provar produtos diferentes, mesmo que seja apenas uma pasta de dentes. Se for isso ou um protetor labial - eu nunca uso os mesmos!

E Nova York tem praticamente uma infinidade de drogarias onde você consegue se perder fazendo isso. Mas você está aqui para o US Open, um torneio que você venceu pela última vez há nove anos. Olhando para trás, o que existe de diferente entre a Maria Sharapova de 2006 e a tenista que conhecemos hoje?

Eu sinto que de muitas formas eu cresci. Eu ganhei o US Open quando era adolescente e foi um momento que, de certa forma, solidificou minha carreira. Foi o segundo grande torneio que eu ganhei e o primeiro veio inesperadamente. Eu sinto que naquele momento da minha carreira eu pertencia ao topo, como uma campeã de Grand Slam. Essas lembranças sempre inundam minha memória quando eu piso na quadra Arthur Ashe.

Eu ganhei inúmeras memórias incríveis - ganhando ou perdendo - ao longo dessa jornada. Eu acho que até mesmo nos jogos que eu perdi a multidão e a energia que eu senti me tocaram profundamente. Eu quero sentir isso cada vez que estou lá.

Nos últimos anos seus sucessos nos torneios têm sido principalmente nas quadras de saibro do Aberto da França. Quais são as diferenças ao jogar na superfície dura do US Open?

Trata-se sempre de fazer um ajuste. Faz parte da carreira de tenista - esse ajuste. Você tem novas bolas e novas superfícies todas as semanas. O ajuste que você tem que fazer com o seu corpo às vezes é muito mais importante do que o seu próprio desempenho, pois as lesões e as pequenas coisas que você enfrenta às vezes afetam o seu desempenho.

Você muda seu regime de treinamento ou sua dieta entre os torneios para lidar com essas diferenças?

Sim. Eu acho que em superfícies diferentes você precisa trabalhar diferentes aspectos. No saibro você trabalha mais a sua resistência física pois os pontos são mais longos. Na grama você trabalha com passos mais rápidos e com uma reação mais rápida.

Em qual área do jogo você se concentrou na preparação para o US Open?

Agora eu tenho apenas tentado me manter saudável porque eu perdi o último par de torneios – então eu só quero encontrar meu caminho de volta. Obviamente, ir para um grande torneio, não é a preparação ideal faltar aos dois últimos eventos, mas com base na minha experiência, foi inteligente fazer isso. Eu só vou participar, diminuir as minhas expectativas e passar por isso, desenferrujando o mais rápido possível.

Crédito: ASSOCIATED PRESS

Sharapova defende uma bola em Wimbledon, em junho.

Será que as realizações de Serena Williams ou de outras tenistas a pressionam a alcançar maiores alturas?

Ah sim. Eu acho que como atleta e como concorrente não importa o esporte, quando alguém está jogando muito bem e está em um grande nível, você sempre se sente inspirada a ser uma jogadora melhor.

Incluindo as vitórias de Serena, este tem sido um verão progressista para as atletas do sexo feminino e sua luta pela igualdade em seus respectivos esportes. As meninas da Copa do Mundo roubaram as atenções e agora a NBA e NFL têm as suas primeiras técnicas mulheres. Qual é a sua reação a tudo isso?

Acho incrível. Quando eu olho para trás, uns 8 ou 10 anos, quando as tenistas lutavam pela igualdade nos prêmios em dinheiro e nos torneios, isso era um assunto falado em cada uma das reuniões e entrevistas nas conferências de imprensa. Nós lutamos por isso há tanto tempo e nós chegamos ao lugar onde estamos hoje, mas nós sempre estamos nos esforçamos por mais.

Eu acho que as mulheres são poderosas e é uma grande motivação sermos melhores e mostrarmos isso ao mundo. Eu sei que há muitas mulheres ao redor do mundo que são bem poderosas e bem inspiradoras. Tudo o que elas fazem é se destacar. Pessoalmente, eu acho isso inspirador.

De muitas formas o tênis feminino é quase um padrão para a igualdade de gênero no esporte.

Eu acho tão atraente porque é global. Podemos jogar e representar todas as mulheres em todo o mundo diariamente porque nós estamos ali na quadra, na frente do público, vamos às conferências de imprensa depois de cada jogo. Nós temos uma voz e eu me sinto muito feliz de usar essa voz de uma forma positiva.

Quais os conselhos que você daria para as atletas que estão lutando agora mesmo por padrões similares de igualdade em seus respectivos esportes?

Não desistam. Continuem. Vocês são fortes e boas o suficiente - grandes o suficiente para estarem nessa posição. Não se sintam desanimadas. Continuem, apesar dos obstáculos.

Tradução: Simone Palma

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: