NOTÍCIAS
14/09/2015 11:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Alunas de medicina da Uniara tentam 'fazer piada' com rosto pintado de preto e são acusadas de racismo

Cinco estudantes da Faculdade de Medicina da Uniara (Centro Universitário de Araraquara), no interior de São Paulo, foram acusadas de racismo por conta de uma fotografia postada no Facebook. Nelas, as alunas aparecem com os rostos pintados de preto e com termos como “#negritude” e “#pestenegra”. Nos comentários, uma delas ainda ironiza: “inclusão social ahahaha (sic)”.

A foto, feita durante os 13º Jumed (Jogos Universitários da Medicina), realizado em Barretos (SP), logo viralizou e a repercussão foi bastante negativa.

Mais uma vez estudantes de medicina protagonizam preconceito, elitismo e racismo. Desta fez foi em jogos universitários...

Posted by Levante Popular da Juventude on Sexta, 11 de setembro de 2015

Oi? a pessoa faz "blackface" e coloca na postagem a hastag #pestenegra e a faculdade ainda vai apurar a intenção da...

Posted by Deroní Mendes on Sábado, 12 de setembro de 2015

Não é feio. Nem triste, nem brincadeira. O nome disto é crime!!"A autora da postagem colocou a hashtag #pestenegra....

Posted by Tâmara Lis on Sexta, 11 de setembro de 2015

#RacistasNãoPassarão!Uma brincadeira (?) de muito mal gosto feito por estudantes de Medicina do Centro Universitário...

Posted by DAFF - Diretório Acadêmico Florestan Fernandes on Sexta, 11 de setembro de 2015

De acordo com matéria do G1, quem se sentiu ofendido acabou ironizado em outra postagem. “Querida, sei porque ficou tão ofendida e brava comigo, você é gorda e namora um negro, sendo assim deveria mesmo se sentir ofendida compreendo (sic)”, escreveu uma pessoa, em defesa da imagem.

Diante das críticas, a autora da postagem se defendeu no Facebook. Segundo ela, “é um absurdo num País em que se fala tanto em democracia e liberdade de expressão” que as pessoas interpretem “mal uma foto uma foto numa rede social”. Ela se desculpou às “pessoas que entenderam errado” a imagem, que, de acordo com ela, não foi apologia ao racismo.

A alegação de que a pintura do rosto com a cor preta estava relacionada com as cores da Uniara também foi sustentada pelo Diretório Acadêmico de Medicina da Uniara (Damu) e a Associação Atlética Acadêmica Edmundo Juarez (AAAEJ), que soltaram uma nota conjunta sobre o assunto, lamentando a “escolha infeliz” dos termos da foto postada.

A direção da Uniara também se pronunciou e destacou repudiar “qualquer forma de preconceito ou racismo” e que as alunas envolvidas na polêmica foram chamadas para uma reunião. Não ficou claro na nota, porém, se haverá alguma punição às estudantes.

Nota de esclarecimento:Em relação à foto que foi postada por alunas do curso de Medicina e que está sendo veiculada na...

Posted by Centro Universitário Uniara on Sexta, 11 de setembro de 2015

Em sua página, o Centro de Referência Afro Mestre Jorge escreveu que “racistas não passarão” e que providências seriam solicitadas junto à direção da faculdade.

Racistas não passarão.A Coordenadoria de Politicas de Promoção da Igualdade Racial de Araraquara, entrará com pedido de...

Posted by Centro de Referência Afro Mestre Jorge on Quinta, 10 de setembro de 2015

Além dos casos de estupro, a CPI dos Trotes, que apurou várias denúncias de violações de direitos humanos em universidades do Estado de São Paulo, encontrou vários episódios de racismo, alguns deles em faculdades de medicina. Aliás, no caso da Uniara, outra polêmica envolve um vídeo com o hino da Faculdade de Medicina da instituição, recheado de palavras de baixo calão – fato também recorrente entre baterias de outras universidades.

Pela lei 7.716, de 1989 (Lei do Racismo), uma pessoa pode ser punida com multa e prisão de um a três anos de cadeia por “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Se cometido por “intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza”, o crime pode ter pena de prisão de dois a cinco anos.