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10/09/2015 11:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Estado Islâmico usa foto de menino sírio para culpar refugiados pelas suas mortes

Reprodução/Twitter

Sírios e libaneses que fogem para a Europa estão cometendo pecado ao expor seus filhos ao ateísmo, drogas, álcool e permissividade sexual, de acordo com uma revista publicada por insurgentes do Estado Islâmico.

Segundo o jornal britânico Guardian, a publicação também mostra fotos do pequeno Aylan Kurdi, e afirma que os refugiados que fogem da Síria são culpados pelo seu próprio destino.

Na semana passada, as fotos do menino, que morreu afogado enquanto tentava chegar - junto com a família - à Grécia, rodaram o mundo e despertaram atenção da comunidade internacional para a crise dos refugiados. Além de Aylan, sua mãe e seu irmão de cinco anos também morreram afogados. A Dabiq traz uma imagem do menino caído na areia, antes de seu corpo ser retirado da praia por um policial.

Centenas de milhares de pessoas fugiram de guerras no Oriente Médio este ano, boa parte delas de áreas ocupadas ou sob ameaça dos militantes do Estado Islâmico. Muitos cruzaram o Mediterrâneo para a Europa em barcos frágeis que, por vezes, afundaram, matando centenas de pessoas, em uma das maiores ondas de imigração desde a Segunda Guerra Mundial.

A maioria dos refugiados vem da Síria, Iraque e Líbia, Estados devastados por conflitos frequentemente envolvendo o Estado Islâmico.

"Infelizmente, alguns sírios e libaneses estão dispostos a arriscar as vidas e almas de seus filhos ..., sacrificando muitos deles durante a viagem perigosa para as terras dos cruzados fazedores de guerra, governados pelas leis do ateísmo e da indecência", assinalou a revista Dabiq.

Segundo a publicação, a maioria das famílias que fogem para a Europa vem de áreas sob controle do presidente sírio, Bashar al-Assad, ou de áreas curdas que haviam lutado contra o Estado Islâmico.

A revista do Estado Islâmico, que controla um território no Iraque e na Síria onde vivem cerca de 10 milhões de pessoas, disse que aqueles que deixam seus domínios estavam cometendo um "pecado maior".

"Precisam saber que sair voluntariamente da Darul-Islam (terras do islã) para a Darul-kufr (terra de descrentes) é um grande pecado perigoso, pois é uma passagem para a kufr (descrença) e um portão em direção a que os filhos e netos abandonem o islã pelo cristianismo, ateísmo, ou o liberalismo ", diz o texto.

A Dabiq acrescentou que a migração para terras cristãs expõe filhos e netos à "ameaça constante da prostituição, sodomia, drogas e álcool".

A publicação ainda celebra a destruição de ruínas históricas na Síria e exibe reféns do grupo: um da Noruega e outro da China.

(Com informações da Reuters)

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