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09/09/2015 13:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Desemprego, inflação e mais dívidas: Como os brasileiros estão enfrentando a crise econômica

Divulgação

O ano de 2015 já mudou a rotina de muitos brasileiros. A tão comentada crise econômica, que trouxe mais inflação, juros, dólar caro e desemprego, encurtou consideravelmente a renda da população, que agora tem que se desdobrar para honrar com os pagamentos e não cair na inadimplência.

De acordo com um estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgado nesta quarta-feira (9), seis em cada dez brasileiros afirmam ter perdido poder de compra nos últimos 12 meses. Segundo eles, essa redução se deve à queda da renda dos trabalhadores (sentida por 42% dos entrevistados), aliada ao aumento dos preços (ou seja, pela inflação e alta dos juros).

Com a queda da renda e do poder de compra, aumentaram as dificuldades para pagar as contas básicas -- aluguel, água, luz, prestações de financiamentos etc.

Mais de 60% dos entrevistados disseram que está bem difícil deixar as contas em dia. Segundo a CNI, o percentual dos brasileiros com dificuldades financeiras é o maior desde a crise de 2008.

Com isso, eles estão precisando apertar o cinto. Cerca de 38% dos brasileiros já diminuíram atividades de lazer, como cinema, clubes e teatro, assim como as idas a restaurantes (39% disseram que diminuíram).

Os brasileiros também cortaram os gastos com vestuário, carne vermelha, produtos de beleza, água, contas de telefone e celular, energia elétrica e até medicamentos.

Substituições

Com os preços mais altos, a população também está economizando no supermercado. O estudo aponta que três quartos (ou 72%) dos brasileiros estão trocando produtos por similares mais baratos.

Além disso, 63% dos entrevistados afirmaram também que adiaram a compra de bens de maior valor, como carros, imóveis, eletrônicos e eletrodomésticos.

As despesas com a casa também diminuíram. Mais de 74% disseram ter reduzido os gastos porque o dinheiro estava curto.

"Quanto menor a renda familiar dos brasileiros, maior o percentual dos que reduziram as despesas de casa nos últimos 12 meses: enquanto 66% dos que possuem renda familiar superior a cinco salários mínimos afirmam ter passado por essa situação, esse percentual chega a 81% entre as famílias cuja renda é inferior a um salário mínimo."

As dificuldades em manter as contas em dia também afetaram a moradia dos brasileiros. Cerca de 16% disseram que tiveram de mudar de casa para reduzir os custos com habitação nos últimos 12 meses.

Novamente, os brasileiros de menor renda foram os mais afetados. Mais de 24% dos que possuem renda familiar inferior a um salário mínimo se mudaram por esse motivo.

Medo do desemprego

A situação no mercado de trabalho também gera insegurança para 76% dos entrevistados. Cerca de 44% disseram que alguém da família perdeu o emprego nos últimos meses.

A pesquisa da CNI mostra que 48% dos brasileiros buscaram trabalho extra para complementar a renda e, em 40% das famílias, pessoas que estavam fora do mercado tiveram de voltar a trabalhar para ajudar com os gastos em casa.

Para escapar das demissões cada vez mais comuns, os entrevistados disseram que estão investindo em educação: 24% dos brasileiros voltaram a estudar devido ao medo de ficarem desempregados. "Essa atitude foi mais comum entre os brasileiros mais jovens", considerou o estudo.

Futuro mais incerto

Se a percepção do brasileiro já está ruim no presente, para o futuro as coisas pioram. Levando em consideração o cenário atual da economia, o pessimismo em relação ao futuro só aumenta: 83% dos brasileiros se preocupam com a possibilidade de perder o padrão de vida que têm hoje.

"Esse percentual é superior aos verificados em setembro de 2012 e em março de 2009, período da crise econômica internacional", diz o estudo.

As expectativas sobre o mercado de trabalho também não são nada animadoras: mais da metade dos entrevistados acredita que a situação econômica vai piorar nos próximos 12 meses e 71% acreditam que o desemprego crescerá ainda mais.

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