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09/09/2015 14:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Conheça o Tucannabis, grupo que quer discutir a descriminalização da maconha dentro do PSDB

O advogado Lucas Aly, 30, é filiado ao PSBD desde 2005. Nesse período, acabou exercendo o papel de tesoureiro da Juventude Tucana. Acontece que a prioridade dele dentro do partido é outra: iniciar o debater novas soluções para as drogas no País. Nasceu daí o Tucannabis, grupo, como diz a página no Facebook, favorável à política de redução de danos.

“Começamos com um grupo pequeno, em dez pessoas. Dentro do partido, a pauta está mais relacionada com a Juventude e com a Diversidade Tucana. O nosso papel agora é fomentar o debate interno. É uma responsabilidade dos partidos falarem sobre esse assunto. É preciso discutir”, conta Aly, em conversa por telefone.

O segundo passo dessa discussão seria incentivar que os tucanos passem a ter uma visão mais progressista quanto à maconha. “A movimentação é discreta. Nem buscamos o apoio dos caciques do partido”. De fato, contar com o apoio dos figurões do partido parece distante. Ainda que quisessem esse apoio por agora, as chances de sucesso são mínimas. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador mineiro Aécio Neves, os dois expoentes nacionais do partido que devem disputar a vaga da legenda na disputa presidencial de 2018, nunca se movimentaram em favor do debate publicamente.

Claro, como grande expoente a favor de uma abordagem mais humana aos usuários e menos hipócrita quanto ao consumo, está o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Reiteradas vezes, em textos, entrevistas ou documentários, FHC expõe seus pontos. Paulo Matias, outro da Juventude Tucana, quis aproximar o grupo do ex-presidente. Mas ficaram na vontade.

Nesta terça-feira (9), surgiu bom sinal para o Tucannabis. José Gregori, ex-ministro da Justiça do governo FHC, foi outro tucano a deixar a segurança do ninho. Gregori se mostrou favorável à descriminalização do porte de drogas, assunto que volta à pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (10).

Lucas Aly e Eduardo Jorge, durante ato de campanha no segundo turno de 2014

"É inequívoco o fracasso da guerra às drogas que adota como estratégia a criminalização do usuário. Os debates mundo afora têm se concentrado na refundação das políticas de combate ao consumo de drogas, deixando de lado a perspectiva puramente repressiva, em favor de uma visão mais humana, voltada à redução de danos. É essa a rota que vem sendo seguida por países como Alemanha, Portugal, Espanha, Colômbia e até mesmo por alguns Estados norte-americanos mais recentemente", escreveu o ministro.

Lucas, claro, segue a linha de pensamento do ex-ministro: É hora do mais importante tribunal do País começar a mudar as regras do jogo. “No Brasil temos o julgamento do STF, que fala em descriminalização. Acredito que esse seja o passo inicial. Mas precisamos mudar a forma como encarar o problema (das drogas). Custa muito para o Estado, perdem-se vidas e as pessoas.”

Já que a descriminalização pelo STF seria o primeiro passo, o que viria na sequência? Legalização ou regulamentação? “A gente precisa se voltar para cá e discutir o que pode ser adaptado e o que se adapta ao nosso modelo. Em todos os países que tentaram uma nova alternativa, houve alterações e abordagens específicas”.

Algum modelo adotado mundo afora chama a atenção do Tucannabis, afinal? "Não vejo problema de o comércio ou o plantio serem feitos pela iniciativa privada, como acontece nos Estados Unidos. Tudo precisa ser regulado, evitar de toda forma que a droga seja vendida aos menores de idade... O Uruguai tem o modelo mais estatal. Mas a gente precisa pensar na nossa realidade. O Pepe Mujica declarou, quando estava por aqui, que não dava para saber para onde o debate iria no Uruguai. O que não se pode, como disse ele, é permanecer como está”. Disso, Lucas não tem a menor dúvida.