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08/09/2015 22:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Crise? Temer falta reunião da coordenação e expõe mais uma ferida do governo

Estadão Conteúdo/Arte: André Murched

Um casamento desgastado, onde os noivos já não vivem mais na mesma casa. É assim que a relação entre a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer tem sido descrita.

O burburinho era de que a relação tinha azedado mesmo na semana passada, mas foi nesta terça-feira (7) que o clima de distanciamento ficou ainda mais evidente. A ausência do vice-presidente na reunião de coordenação política, a qual ele conseguiu impulsionar, foi sentida e entendida como um recado de quem não quer mais passar vergonha.

Aliados da própria presidente reclamam que ela não deu espaço para Temer atuar e o deixou de fora de eventos importantes para o debate político. “Como é que ele vai fazer política, se ela deixa ele fora dos momentos da política”, questiona um senador. Segundo ele, o vice presidente cansou de fazer papel de “bobo”. “Ela discute todo cenário econômico do País, mas esquece a política. Ele é político, tem uma excelente conduta na articulação, mas precisa ser valorizado, precisa ter trabalho.”

O perfil centralizador da presidente fez com que ela tivesse problemas no início deste segundo mandato, por falta de apoio no Congresso. Ela teve que pedir ajuda ao vice e, agora, novamente, voltou a deixá-lo de lado.

Nas últimas duas semanas, o peemedebista protagonizou pelo menos quatro episódios de constrangimento, três deles por ter sido excluído do debate. Além de ter ficado fora da discussão sobre a recriação da CPMF, ele não foi convidado para os encontros que Dilma teve com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Nesta terça-feira, petistas comentaram na reunião da bancada que a presidente errou ao deixar o vice, que também é presidente do PMDB, fora das reuniões.

Outra cena que constrangeu o governo foi a afirmação de Temer de que, com baixa popularidade, a presidente não chega ao fim do mandato. As declarações foram interpretadas como mais um dos sinais de distanciamento.

O comportamento de Dilma com o vice também foi alvo de críticas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em visita à Brasília, Lula aconselhou Dilma a não romper com o vice e aceitar toda ajuda que ele puder oferecer. Lula ressaltou ainda que a mandatária deve ficar atenta ao que ela pode fazer para evitar mais crises. Além de Temer, havia a preocupação de uma saída prematura de Joaquim Levy da chefia do Ministério da Fazenda.

Na defensiva

Apesar do cenário, o vice-presidente tem negado rusgas com a presidente. Ele argumentou que deixou a articulação política por não ter mais o que fazer no cargo. Em nota, a assessoria da vice-presidência negou crise.

"[Temer] Trabalha e trabalhará junto à presidente Dilma Rousseff para que o Brasil chegue em 2018 melhor do que está hoje. Todos seus atos e pronunciamentos são nessa direção. Defende que todos devem se unir para superar a crise. Advoga que a divisão e a intriga são hoje grandes adversários do Brasil e agravam a crise política e econômica que enfrentamos.”

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