NOTÍCIAS
06/09/2015 14:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Lula diz a jornal argentino que Brasil vive 'irracionalidade emocional' e que 'desajuste econômico não é grave'

RICARDO TRIDA/DIÁRIO DO GDE ABC/ESTADÃO CONTEÚDO

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa de Dilma Rousseff (PT) e disse não ver “nenhuma razão” para os pedidos de impeachment da presidente. Em entrevista ao jornal argentino Pagina 12, publicada neste domingo (6), o petista afirmou que não se pode misturar política com problemas econômicos.

“Não há nenhuma razão para se acusar Dilma. Todo mundo conhece o caráter da presidente. Você não pode pensar em um impeachment só porque existem problemas econômicos. Ao mesmo tempo existem denúncias de corrupção, mas isso deve ser separado do âmbito da governança do País”, afirmou Lula.

O ex-presidente defendeu que as investigações da Operação Lava Jato sigam em andamento por promotores e juízes, e que Dilma possa seguir governando o Brasil, já que “foi eleita para cuidar os interesses de 204 milhões de brasileiros”. Mas governar como, em meio a um cenário de tamanha crise? Lula defendeu a recuperação de uma “harmonia política”.

“No Brasil vivemos o que eu chamo de ‘irracionalidade emocional’ (...). Acredito no que eu digo. O Brasil continua sendo um País extraordinário, com um potencial fabuloso. O Brasil tem US$ 300 bilhões em reservas, nós nunca tivemos esse número. Só temos um desequilíbrio na economia, mas para uma economia do tamanho da brasileira não é grave. É como uma febre de 39 graus. Alguém morre por isso? Tome um remédio e pronto. O remédio apropriado, é claro”.

Tal medicação para a crise econômica, de acordo com Lula, passa por recuperar a confiança, sobretudo da nova classe média, aquela que “pôde voar de avião e não quer voltar ao ônibus”, mencionou o ex-presidente. “As pessoas têm medo de acabem os avanços já alcançados. Nesse contexto, é papel do governo garantir que não há como voltar atrás”, analisou.

Em tom crítico, Lula disse ainda que é preciso que o governo Dilma “tome uma decisão política” que possa passar essa confiança para a população e para os mercados. “Tomo um avião. Ele cai no meio do Oceano Atlântico. Para onde vou? Tenho que tomar uma decisão. Devo me mover. Não posso apenas ficar parado, senão vou morrer. É hora de arriscar (...). Insisto: a decisão é mais política do que econômica”, concluiu.

LEIA TAMBÉM

- 'Tem que juntar Lula, Temer e FHC numa sala e jogar a chave fora'

- Lula sobre eleições 2018: 'Se for necessário eu vou para a disputa'

- 'O Brasil vai voltar a crescer', diz Lula em nova propaganda do PT para tevê

- Fundador do PMDB, Jarbas Vasconcelos vê saída de Dilma como 'inevitável', mas vê saída de Cunha como mais importante