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03/09/2015 10:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

PF deflagra segunda fase da Operação Zelotes, que pode ser maior do que a Lava Jato

Montagem/Estadão Conteúdo

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (3) mais uma fase da Operação Zelotes, que apura denúncias de manipulação em julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

PF DEFLAGRA NOVA FASE DA OPERAÇÃO ZELOTESA Polícia Federal cumpre nesta manhã (3) nove novos mandados de busca e...

Posted by Departamento de Polícia Federal - MJ on Quinta, 3 de setembro de 2015

O objetivo é obter documentos contábeis de algumas empresas investigadas para auxiliar as análises e perícias do interesse da investigação. Nesta fase, policiais federais cumprem mandados de busca e apreensão em nove escritórios de contabilidade no Distrito Federal, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Em nota, a Receita explica que se tratam de buscas complementares da operação e que os investigadores esperam, com essas novas medidas, ter acesso a materiais que possam provar o envolvimento de 12 empresas e 11 pessoas físicas com o esquema fraudulento. Os escritórios de contabilidade alvo das ações desta quinta-feira prestam serviços às empresas investigadas e também já tiveram materiais apreendidos pela PF.

As irregularidades no Carf estão sendo investigadas desde 2013 e se tornaram públicas em março deste ano, com o início da Operação Zelotes. Na época, foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão. O inquérito do caso foi instaurado em 2014. Ao todo, os investigadores analisam cerca de 70 julgamentos realizados pelo tribunal administrativo no período de 2005 a 2013. Suspeita-se que o rombo causado pela corrupção possa ser três vezes maior do que o apurado pela Operação Lava Jato.

As suspeitas são de que ex-conselheiros, servidores públicos e empresas de consultoria montaram um esquema para negociar o resultado desses julgamentos. Empresas que haviam apresentado os recursos pagavam para ter os débitos anulados ou reduzidos pelo órgão. Os crimes investigados são os de formação de quadrilha, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.

A Operação Zelotes é realizada conjuntamente pela Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público Federal e Corregedoria do Ministério da Fazenda.

Entenda o caso

Inicialmente, os investigadores tinham como alvo 74 processos no valor de R$ 19 bilhões - o que corresponderia ao triplo do valor inicial da Operação Lava Jato. A reportagem apurou, contudo, que até o momento o valor levantado nas investigações não chega a R$ 6 bilhões.

O esquema no Carf é investigado por uma força-tarefa da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita. O caso foi iniciado após uma denúncia anônima do conselheiro Paulo Roberto Cortez à Receita e depois à PF. Segundo ele, conselheiros recebiam propina para atrasar processos de grandes empresas que discutiam dívidas do "tribunal administrativo da Receita", reduzir ou até mesmo anular multas. É a primeira vez que o órgão é investigado.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, em matéria publicada em março deste ano, as instituições financeiras Bradesco, Safra, Pactual e Bank Boston, a montadora Ford, além da gigante da alimentação BR Foods também estão entre os investigados.

Na mesma relação constam ainda a Petrobras, a Camargo Corrêa e a Light, distribuidora de energia do Rio de Janeiro, e o grupo de comunicação RBS, afiliado da Rede Globo nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.