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03/09/2015 17:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

'Eu gostaria de poder transferir a minha respiração para eles', diz pai de meninos sírios que morreram afogados

REUTERS/Murad Sezer

"Eu gostaria de poder transferir a minha respiração para eles, para dar vida a seus corpos novamente"

Foi assim que o sírio Abdullah Kurdi, que perdeu a mulher e os dois filhos enquanto tentavam chegar a ilha de Kos, na Grécia, descreveu os últimos e dramáticos momentos com a família, em entrevista ao HuffPost Árabe.

"Nós passamos uma hora inteira segurando o barco. Meus filhos ainda estavam vivos. O primeiro morreu por causa das ondas furiosas. Eu tive que deixá-lo para tentar salvar o meu segundo filho, que também se afogou. Eu me virei para descobrir que a mãe havia se afogado também", disse Abdullah.

A imagem do corpo de seu filho mais novo, Aylan Kurdi, de três anos, correu o mundo nesta quarta-feira (2). De bruços, e sem vida, o menino foi encontrado na beira de uma praia na Turquia. Sua mãe, Rehan, 35, e seu irmão Galip, de cinco anos, estão entre as 12 vítimas do acidente de barco.

A família vinha da Turquia, para onde se mudou após sua cidade natal, na área rural de Kobaini, na Síria, ter sido sitiada pelo Estado Islâmico. Segundo a BBC, Abdullah chegou a ser sequestrado e torturado por membros do grupo terrorista.

Era a segunda vez que a família tentava atravessar da Turquia para a ilha grega. O governo turco havia negado vistos de saída para os Kurdi porque eles não tinham documentos - o que é muito comum entre os refugiados.

O objetivo deles, no entanto, não era ficar na Europa, mas ir para o Canadá, onde vive a irmã de Abdullah, Teema. Mas, apesar dos esforços de Teema, que tentou, com a ajuda de vizinhos e parentes, "patrocinar" a família, o visto foi negado.

Após a repercussão da tragédia, o Canadá ofereceu asilo ao pai. Abdullah, no entanto, negou a ajuda e disse que vai voltar para a Síria, onde pretende enterrar sua família. "Recebi uma oferta do governo do Canadá para morar lá, mas depois do que aconteceu não quero ir. Vou levá-los primeiro a Suruç (cidade turca na fronteira com a Síria) e depois a Kobani, na Síria. Passarei o resto da minha vida lá", disse a Efe.

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