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03/09/2015 12:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Chacina de Osasco (SP): Balas que mataram 19 pessoas foram compradas pela PM, mas secretário nega ‘grupo de extermínio'

Montagem/Estadão Conteúdo

Passados 21 dias, os familiares de 19 mortos em uma chacina em Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, seguem sem respostas. Outras cinco pessoas ficaram feridas durante a noite do dia 13 de agosto. A principal linha de investigação aponta para a participação de policiais militares. E os indícios vão ficando mais fortes, conforme mostra reportagem desta quinta-feira (3) do jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com a matéria, parte das capsulas apreendidas nos locais dos assassinatos pertence a lotes comprados pela Polícia Militar, Polícia Federal e Exército Brasileiro. A informação foi prestada pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) à Corregedoria da Polícia Militar. Todas as munições foram adquiridas entre 2006 e 2008 e foram enviadas, no caso da PF e do Exército, a vários Estados e setores.

De acordo com o jornal, a força-tarefa – que conta com 50 profissionais – que investiga a chacina apura se as munições foram desviadas ou roubadas. Até agora, apenas o soldado Fabrício Emmanuel Eleutério, que cumpria funções administrativas nas Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), está preso por suspeita de participação na chacina. Ele foi reconhecido por fotos e pessoalmente por uma testemunha que sobreviveu a um dos ataques.

A Justiça Militar, a pedido da Corregedoria da corporação, decretou a prisão preventiva dele. Os advogados do policial afirmam que ele é inocente.

Secretário nega ação de ‘grupo de extermínio’

Nesta terça-feira (2), o secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Alexandre de Moraes, atendeu a um convite de deputados estaduais e falou sobre a chacina de Osasco e Barueri na Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp). Ele explicou que há “várias linhas de investigação” e que “respostas serão dadas aos familiares” das vítimas.

Entretanto, Moraes negou que exista um ‘grupo de extermínio’, formado por policiais, atuando no Estado. “Não há nenhuma relação entre as chacinas ocorridas desde o começo do ano. Não há indício ou prova em relação a isso. São fatos isolados e por motivação diversa, naquelas em que já foi possível atingir as motivações”, disse, em declarações reproduzidas pela Agência Brasil.

O secretário negou mais uma vez qualquer ‘interferência’ no trabalho entre a força-tarefa da Polícia Civil e a Corregedoria da PM, ao contrário do que noticiou o jornal Folha de S. Paulo na semana passada. A matéria da publicação dizia que delegados que investigam o caso estariam desconfortáveis com a maneira com que a Corregedoria vinha agindo, tomando à frente em apreensões e no pedido de prisão do PM que está detido.

Moraes negou também que exista um vazamento de dados de testemunhas-chave do caso, como denunciou outra matéria da Folha. De acordo com o secretário, a todos os que colaboram com as investigações é oferecida a proteção policial, mas ninguém “pode ser obrigado” a aderir, esclareceu ele.

(Com Estadão Conteúdo e Agência Alesp)