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31/08/2015 08:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

Como o Chile está lutando para aumentar a participação feminina no mercado de trabalho

Montagem/Divulgação/Governo do Chile

Um dos países mais estáveis da América Latina, o Chile vem trabalhando duro para inserir mais mulheres em seu mercado de trabalho. Segundo o governo, o país conta com uma das taxas mais baixas do mundo.

De acordo com estudo "Trabalho Decente e Igualdade de Gênero" conduzido no ano de 2013, o Chile é também o país latino-americano com menor participação feminina no mercado de trabalho.

O estudo, conduzido em conjunto por cinco organismos internacionais revela que 42,3% das chilenas estavam inseridas no mercado há dois anos. Também estavam na "lanterna" Costa Rica, Honduras e o México. Na mesma pesquisa, o Brasil ficou com um percentual de 57,9% de participação das mulheres no mercado.

"O emprego e as condições de vida das mulheres são variáveis fundamentais para avançar no desenvolvimento sustentável da América Latina e do Caribe", afirma o texto. O documento diz ainda que é necessário concentrar esforços, recursos e políticas públicas na igualdade de gênero e no combate à desigualdade entre as próprias mulheres.

O cenário, no entanto, vem mudando. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatísticas do país, entre novembro de 2014 e janeiro de 2015, 48,3% das mulheres maiores de 15 anos se declarou trabalhando ou em busca de emprego.

Na mesma pesquisa, contrasta a participação masculina no mercado de trabalho: 72%.

A maior causa do afastamento das mulheres do mercado, segundo o governo, é o cuidado com os filhos, as tarefas de casa ou o cuidado com algum membro da família idoso ou doente. Apenas 10% das mulheres não trabalham porque não têm vontade.

Além disso, também foi identificada uma brecha salarial de 26,% entre os homens e as mulheres que desempenham o mesmo cargo.

De acordo com a ONU mulheres, algumas regiões do país chegaram a registrar perdas de até 27% no PIB per capita em função das diferenças de gênero registradas no mercado de trabalho.

O próprio governo do Chile afirma que a baixa taxa de participação feminina no mercado de trabalho está diretamente ligada com a pobreza, e é mais intensa entre as camadas mais pobres da população. Geralmente, as mulheres mais pobres não têm onde deixar os filhos durante o expediente, por exemplo. Por isso, especialistas apontam para a necessidade de rever políticas e dar condições para que essas mulheres tenham um entorno favorável ao trabalho.

Quando assumiu o poder, em 2013, uma das bandeiras da presidente Michelle Bachelet foi a criação do Ministério da Mulher e da Igualdade de Gênero.

A lei que cria o organismo - que busca combater a desigualdade de gênero, a violência e a discriminação contra o sexo feminino - foi assinada em março deste ano, e o plano é que em um ano todas as suas repartições estejam funcionando.

"Cada vez que permitimos que a sociedade discrimine uma mulher, estamos limitando as suas oportunidades, assim como as de sua família", afirmou a mandatária.

É importante, no entanto, garantir que as políticas de promoção da igualdade entre os sexos se tornem bandeiras de Estado, e não apenas uma marca - ou uma tentativa - do governo atual.

De acordo com Jürgen Weller, especialista da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o movimento que o Chile vive atualmente, já foi experimentado por outros países latino-americanos. As mudanças incluem movimentos de mediação e política sociais que facilitam a inserção feminina no mercado de trabalho.

"A tendência vai na direção correta, mas ainda não atingiu a sua plenitude", contou ele ao La Tercera, falando ainda que o país tem uma "dívida" com mulheres.

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