ENTRETENIMENTO
28/08/2015 20:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

'O álcool também precisa ser tratado como droga', diz André Mattos, um dos brasileiros em 'Narcos'

Divulgação

Jorge Luis Ochoa Vásquez foi, ao lado de Pablo Escobar, um dos importantes nomes do Cartel de Medellín, o grupo criminoso que apavorou a Colômbia com atos terroristas, assassinatos e um banho de sangue sem fim.

Na série Narcos, liberada pelo Netflix nesta sexta-feira (28), quem encarna Ochoa é o carioca André Mattos, 53.

Para a realizar o projeto, o ator viveu seis meses na Colômbia. Do contrário da maioria dos envolvidos com o tráfico no país sul-americano, Ochoa era filho da elite do país. Também invertendo o destino de boa parte das pessoas retratadas na série, Jorge escapou da carnificina. Vive hoje em liberdade, beneficiado pela delação premiada.

Confira os melhores momentos da conversa com o ator brasileiro.

Brasil Post - O que você fez para construir a sua versão de Jorge Ochoa? Utilizou algum outro personagem, filme ou série para ajudar na composição ou entrar no clima de 'Narcos'?

André Mattos:Ouvi como ele fala em entrevistas para rádios e como ele falava com a imprensa escrita. O que me chamou muito a atenção é que os Ochoa eram de uma família muito rica, que naquela época já vendia cavalos a preços muito altos. Então busquei as referências, entender o universo que eles transitavam. O Fabio Ochoa, o pai dos irmãos do Cartel, era uma espécie de Godfather, um Poderoso Chefão mesmo. Tem uma imagem icônica dele sentado, meio gordão e tudo. Naquele foto tem uma placa em que está escrito "Proibido Tocar". Ninguém podia tocar no cara. Dos irmãos Ochoa, Jorge está livre, o irmão Fábio está preso e Juan morreu.

E como foi a recepção dos colombianos durante a filmagem? Agora que a série foi oficialmente lançada, já recebeu algum feedback das pessoas de Medellín?

Tudo o que aconteceu durante aquele período ainda é muito doloroso paro o povo colombiano. Todas as vezes que perguntavam o que estávamos filmando e respondíamos que era sobre Pablo Escobar, eles (os colombianos) ficavam constrangidos. É difícil. A gente consegue imaginar o quanto eles sofreram com o tráfico...

Falando em tráfico, qual é a sua visão pessoal sobre a criminalização da drogas? Está na hora de pensarmos na legalização ou numa nova abordagem? O Wagner Moura, que trabalhou com você, já se posicionou favorável...

O problema das drogas é mundial. Não é da Colômbia, não é dos Estados Unidos nem do Rio de Janeiro. O grande problema de manter as drogas no mercado paralelo é a violência que isso gera. Mas acho que esse é o papel do Estado. É o Estado quem precisa decidir como vamos tratar as drogas. Pessoalmente, como pai de duas meninas, de 18 e 21 anos, não gostaria que o acesso às drogas fossem facilitados. A gente sabe que existem drogas muito perigosas também.

Então, não gostaria que a droga fosse vendida em cada esquina. Mas, do outro lado, temos diversos estudos apontando a maconha até com um funcionalidades medicinais. E não adianta esconder. A maconha hoje está em todos os lugares. A sociedade precisa passar a debater o problema das drogas. Falar abertamente. E o álcool precisa ser considerado como droga também. É uma droga grave, perigosa. Tenho certeza de que a Lei Seca, principalmente no Rio, salvou muitas vidas. E se eu, como artista, conseguir ajudar a levantar a discussão, então terei feito o meu trabalho.