ENTRETENIMENTO
28/08/2015 15:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

É hora de dar às Spice Girls o valor que elas merecem

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Se você era criança nos anos 90, provavelmente deve lembrar daquele curto e brilhante período quando as Spice Girls reinavam supremas.

Elas estavam por toda parte — na televisão, no rádio e nas revistas —, não apenas no país de origem, Reino Unido, mas também em todo o planeta.

Seu principal lema era “Girl Power” (Poder das Garotas), transmitido com músicas cativantes — e espalhafatosas — e com muito carisma. Para meninas e meninos em todo o mundo, inclusive eu, eram rainhas.

Dia 6 de agosto, Geri Halliwell fez 43 anos e, embora na última década tenha atuado como atriz, escritora e performer, será sempre mais conhecida como integrante de um dos maiores –talvez o maior — conjuntos femininos da história.

Durante os cinco anos em que passaram como um furacão pelo mundo, entre 1994 e 1998, as Spice Girls venderam 80 milhões de cópias mundialmente, se tornaram o primeiro grupo britânico desde 1975 com dois álbuns entre os “top 10” nos Estados Unidos no mesmo momento, e ganharam aproximadamente US$ 800 milhões com campanhas para a Pepsi, Chupa Chups, Polaroid e Playstation.

O primeiro single do grupo, 'Wannabe,' é o mais vendido por um grupo feminino em todos os tempos.

Ainda assim, apesar do sucesso e popularidade, as Spice Girls nunca foram realmente levadas a sério. No auge da fama, a maioria dos críticos de música e cultura pop declarou que as cantoras era uma novidade sem talento — em 1997, a revista Slate as descreveu como representantes da morte da música, o "Jurassic Parkification” do pop.

Mas nem mesmo as Spice Girls se levavam a sério, como fica evidente no filme produzido pelo grupo, Spice World, inspirado em A Hard Day’s Night, dos Beatles.

O amor pelo grupo ressurgiu recentemente devido à nostalgia dos antigos fãs, a maioria agora na casa dos 20 e poucos ou 30 anos, reforçado pela turnê de retorno em 2007 e pela apresentação surpresa nas Olímpiadas de 2012, em Londres.

A atitude coletiva em relação às Spice Girls não tem sido tão negativa quanto, por exemplo, as críticas contra o programa Sex and the City — uma série que (em grande parte devido aos péssimos filmes) é vista principalmente como monótona, apesar de ter sido bem subversiva para sua época.

Mas, ainda assim, as Spice Girls merecem muito mais crédito do que receberam. O conceito de “Girl Power” pode parecer piegas, uma simplificação no formato Disney do movimento feminista, mas, com o lema, as Spice Girls foram igualmente subversivas, fazendo música focada na amizade feminina, na solidariedade e na autoexpressão acessível e cativante.

Um artigo da revista Rookie, publicado em novembro de 2011, "In Defense of The Spice Girls" (Em Defesa das Spice Girls), destaca canções como "2 Become 1", que assumidamente expressavam a sexualidade feminina (e pregavam sexo seguro!), como um exemplo de como a banda transmitia uma mensagem de empoderamento das mulheres.

Mas o artigo também diz que as Spice Girls foram “vendidas para nós como um grupo de amigas”, quando na verdade eram “um grupo de estranhas cuidadosamente selecionadas depois de centenas de testes”.

"Sempre defendemos o Poder das Garotas e agora talvez seja o Poder das Mulheres [...] o que todas nós fazemos individualmente é empoderar as mulheres, é o que todas sentimos intensamente, e todas fazemos individualmente, de maneiras diferentes."

Bem, ao contrário da crença popular, as Spice Girls não foram um grupo fabricado; a criação de homens em ternos que disseram a elas como pensar, se vestir e agir.

Sim, as garotas fizeram testes para fazer parte do grupo, que se chamava Touch originalmente, e que os empresários Chris e Bob Herbert conceberam como um conjunto pop sexy em vestidos colados.

Mas quando Geri, Mel B, Mel C, Emma Bunton e Victoria Beckham (Adams, antes de se casar com David Beckham) se deram conta que os Herberts queriam controlar totalmente a imagem delas, protestaram. E quando, em 1994, se deram conta de que os Herberts estavam pressionando para que assinassem um contrato suspeito, deixaram os dois.

Na época, morando num flat de três quartos em Sheffield, Inglaterra, roubaram as gravações originais das canções e enviaram as demos para diferentes produtoras por seis meses até que finalmente fecharam com Simon Fuller, em março de 1995. Fuller seria o agente que finalmente conseguiria o contrato de gravação que as levou ao estrelato.

As caricaturas pop de cada Spice Girl incorporavam suas próprias ideias e criações. A persona “vamp” de Geri Halliwell era fortemente influenciada por Marilyn Monroe e David Bowie (observe o cabelo vermelho e loiro, plataformas de paetês).

Sim, mais tarde a revista Top of The Pops as batizaria com os icônicos apelidos Ginger, Scary, Baby, Sporty e Posh, mas a direção visual e o som das Spice Girls sempre estiveram firmemente sob o controle das mulheres que formavam o grupo.

Primeira entrevista das Spice Girls em 1997 no programa "The Girlie Show"

O impressionante sobre a fórmula das Spice Girls era que não só promovia o empoderamento das mulheres e a amizade, mas também o conceito de que as mulheres poderiam existir em todas as formas e ainda assim prosperar.

Que grupo feminino hoje teria uma integrante como a Sporty Spice, que podia expressar sua feminilidade de uma forma diferente da adotada por suas companheiras?

A ideia principal se apoiava no fato de que a aparência não era mais importante do que a personalidade. Volte ao passado e assista às antigas entrevistas das Spice Girls. Todas elas com suas diferentes personas tinham permissão para brilhar, nunca competindo umas com as outras ou dando respostas prontas.

Sempre haverá críticas contra as Spice Girls, muitas delas válidas. Mas, afinal de contas, a iniciativa do conjunto promovendo o fenômeno “Girl Power” foi o primeiro, pequeno passo em direção a uma cultura pop em que o feminismo é discutido abertamente e frequentemente, em que Beyoncé pode se apresentar no MTV Video Music Awards em frente a um banner “FEMINISTA”.

As Spice Girls eram apenas um grupo pop, de fato, mas também eram um conjunto de cinco mulheres incrivelmente ambiciosas e inteligentes que não apenas alcançaram o sucesso, mas causaram um enorme impacto cultural.

Se isso não é o poder das garotas, o que seria então?

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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