ENTRETENIMENTO
28/08/2015 14:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:32 -02

9 motivos para você ver 'Que Horas Ela Volta?', filme brasileiro cotado para o Oscar

Em cartaz em dezesseis salas na capital – e outras seis na Grande São Paulo, em cidades como Guarulhos e São Bernardo do Campo – o filme Que Horas Ela Volta? causou comoção por onde passou. A estreia mundial no Festival de Sundance, em Utah (EUA), rendeu às atrizes Regina Casé e Camila Márdila a divisão do prêmio especial de melhor atriz. Países como França e Itália também se renderam ao drama da diretora paulistana Anna Muylaert, que está em cartaz em mais de 280 cinemas ao redor do mundo.

O filme ganhou quatro estrelas na avaliação de VEJA SÃO PAULO e elogios enfáticos de jornais como El País e Le Figaro. É difícil, mas caso você ainda não tenha encontrado motivos suficientes para ver o filme, listamos oito razões para correr para o cinema ainda neste fim de semana:

1. Michel Joelsas

Se você viu O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias e lembra do garotinho Mauro, cá está ele, quase uma década depois. Michel agora tem 19 anos e faz o papel de Fabinho, o protegido da empregada (e sua babá na infância) Val. Ele também está na TV como o Henrique de Malhação.

2. Regina Casé

Esqueça a festiva apresentadora do Esquenta! e tente lembrar mais da Darlene do filme Eu Tu Eles (2000). Como Val, a empregada doméstica que vive em um quartinho da casa dos patrões, Regina Casé se entrega à personagem de uma maneira surpreendente. O gestual – preste atenção nas mãos, no andar e no tronco curvado – e o sotaque pernambucano perfeito criam uma empatia quase automática com o espectador. A relação entre Val e Fabinho (Michel Joelsas), o filho dos patrões, é tocante; e o embate com a própria filha, Jéssica (Camila Márdila), perturbador.

3. Camila Márdila

Desconhecida, a atriz brasiliense é a revelação de Que Horas Ela Volta?. Até a chegada de Jéssica, as grandes preocupações de Val são a forminha de gelo vazia no congelador, o refrigerante do patrão e o sorvete do adolescente da casa. Quando sua filha biológica desembarca em Guarulhos, tudo muda – ela expõe a subserviência extrema da mãe, tornando visível as barreiras sociais que Val não enxergava até ali. Sem ser necessariamente agressiva, incomoda justamente por sua perspicácia e seu espírito questionador. Em uma das melhores cenas, trava uma batalha quase sem palavras com a patroa da mãe, Bárbara (Karine Teles) na mesa da cozinha; no mesmo cômodo, vive um diálogo constrangedor com o dono da casa, Carlos (Lourenço Mutarelli), em uma cena feita de improviso.

4. Humor

Apesar de não ser exatamente uma comédia, o filme tem seu humor (às vezes involuntário) graças à personagem de Regina Casé. A explosão de alegria de Val quando a filha recebe a nota do vestibular é bonita, mas não deixa de ser cômica; sua relação com a cadela Meg e com os amigos de Fabinho (especialmente com o ‘Caveira’) também faz rir. Na Europa, foi vendido como um “filme de verão”, ou seja: apesar da profundidade do tema, tem leveza e diverte.

5. Reconhecimento internacional

Mais de 280 cinemas ao redor do mundo – incluindo países como Espanha e Bósnia – estão passando Que Horas Ela Volta?. No Festival de Berlim, foi eleito o melhor filme pelo público da mostra Panorama; Em Sundance, o prêmio de melhor atriz para Regina e Camila foi um afago especial do júri, que nem sempre concede esse troféu. Também foi o melhor filme segundo os espectadores do Festival de Amsterdam.

6. Cenas de São Paulo

Embora não seja mostrado, o Largo da Batata é uma das primeiras menções à São Paulo no filme. “Isso não é uma praça, não tem nem um pé de mato”, aponta Val de dentro de um ônibus. O casarão onde se passa a maior parte da história fica no Morumbi; a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e o Copan também se apresentam. Há ainda cenas no Campo Limpo, periferia da Zona Sul.

7. Onipresença

É raro ver uma produção brasileira em tantas salas como Que Horas?. No Brasil inteiro, são 91 cópias; na capital, dezesseis cinemas estão passando o filme, além de Barueri, Guarulhos, Santo André e São Bernardo do Campo. Para se ter uma ideia, o novo de Woody Allen, Homem Irracional, ocupa a mesma quantidade de telas em São Paulo.

8. Crítica social

A personagem central é uma empregada que acha comum trabalhar quase em tempo integral para uma família rica, que depende dela para colocar e tirar a mesa, lavar roupa, pegar um copo d’água. Val deixou a filha em Pernambuco dez anos antes e acaba criando o filho dos patrões como se fosse seu. Apesar de simpáticos, os donos da casa, Bárbara e Carlos, sempre deixam claro que o lugar da doméstica é da porta da cozinha para dentro. A presença de Jéssica também é representativa: diferente da mãe, que saiu da terra natal para tentar a vida como babá em São Paulo, ela chega na capital com formação suficiente para tentar cursar Arquitetura na USP.

9. O Oscar

Além de festejar a obra, a crítica internacional já aposta em Que Horas Ela Volta? como provável representante brasileiro no Oscar 2016. A lista de indicados pela Ancine sai no dia 10 de setembro.

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