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27/08/2015 12:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Mais um Amarildo? Jovem é encontrado morto no Rio após ser abordado por PMs de UPP

Montagem/Facebook e Estadão Conteúdo

Desaparecido há cinco dias, o jovem Clayton da Silva Modesto, de 17 anos, foi encontrado morto na tarde desta quarta-feira (26), em uma área do Morro da Babilônia-Chapéu Mangueira, Leme, zona sul do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, ele foi visto pela última vez com policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local.

A denúncia do desaparecimento do jovem foi feita pela ONG Justiça Global. À entidade, testemunhas informaram terem visto Clayton ser levado por policiais da UPP. No mesmo dia do desaparecimento, ocorreu um tiroteio na comunidade. Segundo a assessoria da UPP, um suspeito foi baleado e socorrido pelos policiais, sendo preso em seguida.

Adolescente encontrado morto no Leme teria sido levado por policiais da UPP Clayton da Silva Modesto, 17 anos, estava...

Posted by Justiça Global on Quarta, 26 de agosto de 2015

Os relatos sobre o envolvimento de policiais foram confirmados por familiares de Clayton à ativista do movimento Mães Vítimas de Violência, Deize Carvalho. Ela estava acompanhando, junto com parentes do jovem, os trabalhos do Corpo de Bombeiros no local onde o corpo foi encontrado.

“A tia o reconheceu por causa da tatuagem e da roupa, que era a mesma que ele usava no dia. Chegamos ao corpo graças à ajuda dos moradores que foram muito corajosos e enviaram informações por meio de mensagens na internet, pois a família fez uma campanha nas redes sociais para saber do paradeiro dele”, contou ela, em entrevista à Agência Brasil.

Clayton era morador da Comunidade Pavão-Pavãozinho, em Ipanema, zona sul, e estava de visita na casa da tia, que mora no morro da Babilônia. A tia relatou que ele estava comendo em um estabelecimento na comunidade, quando começou o tiroteio. “Infelizmente, o pior aconteceu. O clima está muito tenso na comunidade. Os moradores estão com muito medo”, disse Deize.

Segundo informações do G1, a Polícia Civil – por intermédio da Divisão de Homicídios (DH) – abriu inquérito para investigar o caso e já começou a ouvir os policiais da UPP. A 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) também está apurando o assunto, e ambos os trabalhos estão sendo acompanhados pela Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP).

Morte tem semelhanças com Caso Amarildo

Os relatos da morte de Clayton lembram outro episódio envolvendo policiais e UPPs: o sumiço e assassinato do pedreiro Amarildo de Souza, em 14 de julho de 2013. Após ser conduzido à sede da UPP da Rocinha, para averiguação, Amarildo desapareceu. A Polícia Civil concluiu que ele foi torturado e morto, mas seu corpo nunca foi encontrado.

Vinte e cinco policiais foram acusados pelo crime, mas o Ministério Público investiga a hipótese de envolvimento de mais policiais - esses do Bope, que estiveram na sede da UPP na noite do sumiço do pedreiro.

O alto índice de letalidade da polícia do Rio foi alvo de um levantamento da Anistia Internacional. Segundo a entidade, 8.466 pessoas foram mortas apenas pela Polícia Militar fluminense nos últimos 10 anos. Só na capital foram 172 homicídios somente no primeiro semestre, de acordo com matéria publicada pela UOL.

Na próxima segunda-feira (31), a Anistia realiza um debate na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), com ênfase nas execuções extrajudiciais praticadas por policiais.

Os homicídios decorrentes de intervenção policial representam uma média de 16% do total de homicídios na cidade do Rio...

Posted by Anistia Internacional Brasil on Quarta, 26 de agosto de 2015