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26/08/2015 19:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Estudo com sobreviventes do Holocausto revela que trauma tem consequências genéticas nos filhos

Government Press Office/Flickr
A group of orphans, survivors of the Holocaust, at the reception camp in Atlit (14/07/1944).קבוצת יתומים, ניצולי שואה במחנה העולים בעתליתPhoto: KLUGER ZOLTAN.

Mesmo 70 anos após o Holocausto, é possível que as consequências do trauma sofrido por sobreviventes tenham se "transmitido" de pai para filho. A conclusão é de uma equipe de pesquisadores do hospital Mount Sinai, de Nova York.

Os cientistas realizaram uma análise genética de 32 judeus que já estiveram presos em campos de concentração, sofreram ou observaram tortura ou tiveram de se esconder durante a guerra.

Depois, analisaram os genes dos seus descendentes e compararam os resultados com os de famílias de judeus que não moravam na Europa durante a guerra.

A conclusão? "As alterações genéticas dos filhos só podem ser atribuídas à vivência do Holocausto por seus pais", disse Rachel Yehuda, pesquisadora-chefe do estudo, ao Guardian.

Como já havia estudos anteriores apontando a associação entre traumas e alterações nos genes do estresse, a equipe se limitou a estas regiões do DNA. Eles encontraram as mesmas alterações relacionadas ao estresse agudo tanto nos pais quanto nos filhos, o que não aconteceu com ninguém do grupo de controle.

Este é o sinal mais claro até hoje de que a experiência de vida de alguém pode afetar as gerações seguintes.

Controvérsia

A "transmissão" de traumas de pais para filhos se dá, possivelmente, por um mecanismo chamado de herança epigenética -- a noção de que fatores ambientais, como tabagismo, dieta e estresse podem afetar os genes de seus filhos e netos.

Esta ideia está longe de ser um consenso científico -- afinal, a teoria mais aceita hoje é de que os genes contidos no DNA são a única forma de transmitir informações biológicas entre as gerações.

No entanto, nossos genes são modificados pelo ambiente o tempo todo por meio de marcadores químicos que se "anexam" ao nosso DNA, ativando e desativando genes.

Em tese, qualquer alteração epigenética do DNA deveria ser "zerada" na fertilização. Mas estudos recentes sugerem que algumas dessas "ativações" e "desativações" conseguem passar, de alguma forma, de pai para filho.

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