COMPORTAMENTO
25/08/2015 20:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Fotógrafa comprova a beleza dos ruivos das mais variadas raças (FOTOS)

Reprodução

O cabelo ruivo é geralmente resultado de uma mutação de um gene chamado MC1R. Normalmente, quando ativado por um determinado hormônio, o MC1R provoca uma série de sinais, que leva à produção de pigmentos castanhos ou pretos. No entanto, nos casos em que ambos os pais são portadores do gene MC1R recessivo e o referido receptor está mutado, ele deixa de gerar cabelos mais escuros, resultando, no acúmulo lindamente ardente de pigmento vermelho.

Segundo pesquisa divulgada pela BBC News, entre 1% e 2% da população do mundo – ou seja, algo entre 70 milhões e 140 milhões de pessoas - são ruivos. Na Escócia e na Irlanda, cerca de 35% da população carregam o gene recessivo capaz de gerar pelos avermelhados. Por lá, os ruivos são cerca de 10% do total de pessoas. Por isso, a palavra ruivo traz à mente os atributos celtas e germânicos - ou seja, pele pálida e branca.

Pele branca e cabelos ruivos podem constituir a imagem estereotipada dos ruivos. A fotógrafa francesa Michelle Marshall, no entanto, decidiu documentar as incrivelmente diversas manifestações do gene MC1R.

"Atualmente, estou interessada em documentar as variantes do gene MC1R, o responsável pelo cabelo ruivo e sardas, particularmente entre pessoas negras e pardas de todas as idades", escreveu Michelle numa troca de e-mails com The Huffington Post.

"Eu quero mudar a percepção que a maioria tem de que os ruivos são indivíduos caucasianos e, potencialmente, de origem celta ... À medida em que lutamos com questões de imigração, discriminação e preconceito racial, a ‘Mãe Natureza’, por sua vez, segue seu próprio curso, abraçando a pluralidade da sociedade e, no processo, balança nossas percepções sobre a origem, etnia e identidade".

Michelle originalmente concebeu o projeto, ao qual ela se refere como um "censo visual”, para documentar as diferentes manifestações das sardas. Eventualmente, ela refinou o projeto, embarcando em uma missão para fotografar o maior número possível de ruivos afro-caribenhos. As pessoas registradas pelo projeto foram completos estranhos que ela descobriu através das mídias sociais, o boca a boca ou andando pelas ruas.

Os retratos em close documentam cada sarda ou fio de cabelo avermelhado, ampliando o entendimento estreito do como os ruivos podem se parecer.

As fotografias e os seus temas são inegavelmente impressionantes. No entanto, o apelo encantador das imagens tem suas desvantagens. "Uma imagem bonita nem sempre se relaciona com como é ser diferente", disse Michelle numa entrevista. "Há um problema em ser diferente: você nem sempre é aceito. Uma fotografia bonita serve a um propósito, mas no contexto do dia a dia as pessoas podem não ter a reação."

Natasha Culzac, que foi uma das modelos para projeto da fotógrafa na Vice - e que aparece na foto acima -, compartilhou sua experiência de como foi crescer com cabelos ruivos e pele escura.

"Para mim, ter crescido como uma garota alta, miscigenada e com cabelo ruivo crespo num bairro predominantemente branco da classe trabalhadora não foi fácil. Aos 13 anos, comprava produtos de clareamento da pele para pulverizar as sardas e aos 14 anos, durante a minha fase de Slipknot na virada do milênio, tingi meus cabelos de preto. Agora, no entanto, eu não poderia me importar menos nem gostar tanto de ser única”.

Categorizações caem. Estereótipos decepcionam. A diferença é bonita. Há muito a aprender com retratos marcantes de Michelle. Claro, se pudermos parar de apenas olhar para eles.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.