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24/08/2015 00:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:24 -02

Emparedado, Eduardo Cunha ensaia mudança de atitude no comando da Câmara

Montagem/Estadão Conteúdo

Presidente da Câmara dos Deputados e denunciado ao STF na Operação Lava Jato, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já ensaia uma sutil mudança de comportamento para contornar a ira dos colegas que o querem fora do comando da Casa.

Desde que foi citado na delação do ex-consultor da Camargo Corrêa e da Toyo Setal Julio Camargo, Cunha tem passado a ouvir mais parlamentares, mesmo aqueles que não fazem parte de sua cúpula.

Integrantes do próprio PMDB cobram essa mudança de comportamento do correligionário para não apoiarem os pedidos de afastamento do peemedebista do comando da Casa. Alguns já assinaram o manifesto para que ele renuncie ao cargo.

Esses colegas de legenda reclamam da truculência de Cunha, evidenciada em diversas votações no primeiro semestre deste ano. Cunha manobrou pela aprovação da ampliação da terceirização para todas as atividades, da redução da maioridade penal e do financiamento empresarial de campanha.

Além dessas propostas, o presidente da Casa também impôs sua vontade em outras questões, como prazo de duração de CPIs (comissões parlamentares de inquérito).

A intransigência dele o deixou com fama de autoritário e fez que aliados históricos o estranhassem. Tais parlamentares podem fazer a diferença na hora de aprovar um pedido de cassação de mandato ou abertura de investigação no Conselho de Ética.

Ao Brasil Post, peemedebistas que não quiseram se identificar se queixaram da postura de Cunha:

“Ele foi um bom líder porque ouvia todas as nossas demandas, fazia o possível para nos atender. Estava sempre presente. Dava espaço a todos, mas depois que virou presidente se tornou um ditador, está sempre ocupado, não tem mais tempo.”

Esse tipo de queixa mudou nos últimos dias. “Depois da ameaça da denúncia e de ter sido citado na delação, ele mudou. Está outra pessoa, mais humilde, colocou o pé no chão", disse um peemedebista ao Brasil Post.

Para garantir que seu poder seja poupado, Cunha precisa recuar dos ataques a caciques do partido, avaliam parlamentares do PMDB.

O próprio presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem estado na mira de Cunha. E, segundo aliados, se continuar, o presidente da Câmara pode perder fôlego dentro do partido.

Caso a mudança de postura não se intensifique, Cunha corre o risco de ser emparedado por oposicionistas, com aval de ex-aliados.

Trâmite do afastamento

Ainda assim, ele só deixa a presidência se renunciar - o que ele já disse que não vai fazer.

A outra opção é a cassação do mandato em pedido aberto pelo plenário da Casa. Para isso, é preciso que um deputado acione a corregedoria da Câmara ou que seja feita uma representação no Conselho de Ética pela mesa diretora ou um partido político. São necessários 257 votos para que o processo seja aberto.

Por ora, deputados que não assinaram o manifesto contra a permanência de Cunha na presidência argumentam que a denúncia ainda não foi acolhida e que há o princípio da presunção da inocência.

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