ENTRETENIMENTO
06/08/2015 17:30 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

5 motivos para dar uma chance ao novo 'Quarteto Fantástico'

Nesta quinta-feira (6) estreia Quarteto Fantástico (Fantastic Four, 2015), novo filme baseado no clássico gibi da Marvel. Dirigido por Josh Trank (Poder sem Limites), ele vem com a responsabilidade de ser superior às três tentativas de adaptação que vieram antes dele: um trashzão de 1994 – que nem conseguiu chegar aos cinemas – e duas tentativas pouco menos caricatas, lançadas dez anos depois e dirigidas por Tim Story.

Este era o desafio. Não que Trank precisasse ser um grande gênio para vencê-lo, mas parece que isso não tem sido o suficiente para boa parte da mídia, que tem criticado bastante o novo Quarteto.

Para você ter uma ideia dos comentários: a Hollywood Reporter disse que Quarteto "parece um trailer de cem minutos de um filme que nunca acontece". Pablo Villaça, do Cinema em Cena, chamou o vilão de "unidimensional". A Variety disse que o longa é "um experimento não azeitado".

Mas tem gente que gostou: a Folha classificou o filme como "muito bom". O Omelete elogiou a modernização da história, em relação à estreia do Quarteto nos quadrinhos em 1961. A Little White Lies destacou positivamente a construção dos personagens como "sutil".

O Brasil Post foi conferir o filme e já tem um veredito: ele é bom. E aqui embaixo estão alguns motivos pelos quais Quarteto Fantástico merece uma chance.

1. Ele é completamente diferente dos anteriores.

Já nos primeiros minutos você vai perceber que este filme de super-herói aposta em um tom bem distinto do que temos visto por aí. Se Homem-Formiga e Vingadores: Era de Ultron, ambos lançados neste ano, são ágeis e leves, Quarteto Fantástico se arrisca em uma atmosfera mais séria e sombria. Não há pressa para conduzir a história. Essa característica é um importante passo não apenas para se diferenciar das dezenas de filmes de heróis dos últimos anos, mas para construir uma identidade diferente dos filmes anteriores, que também são leves (e até demais).

2. Tem mais diversidade de gênero e raça.

Ao contrário dos três filmes anteriores, Susan Storm é uma personagem feminina inteligente, opinativa e funcional. Ela contribui com a história principalmente por meio de sua competência como cientista – e não foge do combate corpo a corpo.

Kate Mara (a Zoe Barnes, de House of Cards) dá vida à Sue com sensibilidade e equilíbrio. Consegue transmitir profundidade à super-heroína, algo que as atrizes Jessica Alba, nos filmes de Tim Story, e Rebecca Staab, no trash dos anos 1990, nem ao menos tiveram a chance de fazer.

Além disso, ela é adotada por uma família de negros. Sue é irmã do cabeça-quente Johnny (Michael B. Jordan) e filha do Dr. Franklin Richards (Reg E. Cathey). Isso tem causado furor por aí. Pasme, mas tem gente reclamando de ver Johnny, um personagem originalmente branco, ser reinterpretado como negro. Assim como quem não compreende como uma garota branca pode ser adotada por negros. Você pode ler mais sobre isso aqui.

2015, né, gente? Por favor. O filme reconheceu isso.

3. Celebra a ambição dos jovens de hoje.

Reed Richards (interpretado por Miles Teller) é um precoce e promissor cientista recrutado para trabalhar em um projeto que quer fazer humanos viajarem para outras dimensões. Junto dele, estão os também talentosos cientistas e irmãos Sue e Johnny Storm (Mara e Jordan); Ben Grimm (Jamie Bell), amigo de infância e "cúmplice" de Reed; e o vaidoso, mas genial Victor von Doom (Toby Kebbel). Todos são supervisionados por Franklin Storm (Cathey). A empreitada dá certo, mas há consequências: eles voltam da viagem à uma dimensão desconhecida com superpoderes. E tem instituições interessadas nisso. Veja o trailer abaixo:

Eles se transformam, respectivamente, em Senhor Fantástico, Mulher Invisível, Tocha Humana, Coisa e Doutor Destino (o vilão). Todos são jovens cheios de energia, conhecimento e ambição. Para a revista de cinema Little White Lies, este filme é "moderno e entende como jovens gerações estão se tornando uma base de poder mais dominante no mundo, enquanto os mais velhos zombam de suas ousadas criações".

Em tempos em que o bilionário Mark Zuckerberg, criador do Facebook, é considerado pela Time a grande personalidade de 2010 aos 26 anos, Quarteto reflete essa atualidade em sua história, além de trazer para a discussão o relacionamento desses jovens com instituições antigas.

A trama se baseia em Ultimate Quarteto Fantástico (2004-09), elogiada fase dos quadrinhos concebida por Brian Michael Bendis, Mark Millar e Adam Kubert.

4. Pode fazer parte de um novo universo Marvel nos cinemas.

O estúdio 20th Century Fox, dono dos direitos de adaptação de X-Men, Quarteto Fantástico e Deadpool, entre outros personagens Marvel, tem trabalhado nos últimos anos para unir seus heróis e vilões em um único universo, assim como o Marvel Studios fez com Vingadores.

O último a comentar isso foi Bryan Singer, diretor de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014). Em entrevista ao Yahoo UK ele diz que "ideias têm sido consideradas". E, em 2012, o quadrinista Millar foi contratado pela Fox para trabalhar na junção dos personagens no mesmo universo.

Por ora, nada muito certo. Você gostaria de ver Wolverine e Tocha Humana em um mesmo filme?

5. Fãs de cinema perceberão referências a clássicos.

Se você curte filmes de ficção científica e terror, vai notar que Josh Trank se inspirou nos clássicos A Mosca (1986) e Scanners – Sua Mente Pode Destruir (1981), de David Cronenberg. Ele disse isso ao Collider. Os dois filmes citados mostram as más consequências que avanços científicos podem trazer para a humanidade.

O diretor disse em entrevista à Entertainment Weekly que também se inspirou em Steven Spielberg. Trank chama Quarteto Fantástico de "Amblin sombria". Amblin, no caso, é o estúdio de Spielberg que lançou grandes filmes como De Volta para o Futuro (1985) e E.T. – O Extraterrestre (1982). Trank também cita Tim Burton como fonte de inspiração para construir o novo longa.

Mas nem tudo são rosas. Quarteto Fantástico derrapa no clímax, ao mudar bruscamente o ritmo. É como se, de repente, o filme se apressasse para terminar. A Hollywood Reporter diz que houve refilmagens e os produtores Simon Kinberg e Hutch Parker tiveram que interferir para viabilizar a produção. Segundo o HR, no set de filmagens, Trank teve dificuldades de tomar decisões e foi pouco comunicativo. O editor Stephen Rivkin (Avatar) foi contratado para ajudar.

Além disso, o filme derrapa também ao não dar a devida profundidade ao Coisa e ao vilão Doutor Destino. Nada que comprometa o todo, mas muitas resenhas por aí têm pego no pé de Quarteto por causa disso.

Uma sequência está agendada para junho de 2017. Será que acontece?

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