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30/07/2015 21:49 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Advogada da Lava Jato diz que se sente ameaçada e encerra carreira

Paulo Liebert/Estadão Conteúdo

A advogada Beatriz Catta Preta, responsável por fechar nove das 17 delações premiadas da Operação Lava Jato, disse nesta quinta-feira (30) em entrevista ao Jornal Nacional que deixou seus clientes por se sentir ameaçada por integrantes da CPI da Petrobras.

No último dia 9, a CPI aprovou requerimento para convocar a advogada a prestar esclarecimentos na Câmara dos Deputados. Sem citar nomes, Catta Preta afirmou que recebeu ameaças de maneira "velada", que não seriam de morte, e por parte de membros da comissão.

A advogada - que é considerada uma das maiores especialistas em delação premiada no País, disse ainda que, por se sentir intimidada, optou por fechar seu escritório e encerrar sua carreira. "Depois de tudo que está acontecendo, e por zelar pela segurança da minha família, dos meus filhos, eu decidi encerrar a minha carreira na advocacia. Eu fechei o escritório", afirmou.

Segundo Catta Preta, as intimidações começaram depois que seu cliente Júlio Camargo declarou que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), havia cobrado US$ 5 milhões de propina do consultor. Cunha, que nega envolvimento com o esquema de corrupção, responsabilizou o governo e a Procuradoria-Geral da República pelas acusações.

Inicialmente, Camargo havia negado a participação de qualquer pessoa de foro privilegiado no esquema. Questionada pela reportagem do Jornal Nacional por que ele não mencionou o presidente da Câmara antes, a advogada disse que foi por "medo".

Catta Preto também negou que tenha se mudado para os Estados Unidos e afirmou que não pretende deixar o País. "Nunca cogitei sair do país ou fugir do país como está sendo dito na imprensa", disse.

O presidente da CPI da Petrobras, deputado Hugo Motta, negou que haja perseguição à advogada e disse que o requerimento de convocação foi aprovado por unanimidade.

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