MULHERES
28/07/2015 11:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Site com apologia ao estupro e mensagens misóginas será investigado pela Justiça

Montagem/Reprodução

Postagens misóginas, recheadas de preconceito e com incentivo ao estupro fizeram um blog intitulado 'Tio Astolfo’ viralizar nos últimos dias nas redes sociais. A página, que deixou de operar por esse nome ao redirecionar quem tenta acessá-la, segue postando mensagens agressivas e criminosas nesta terça-feira (28). O Ministério Público Estadual (MPE) e a Polícia Federal, que receberam denúncias sobre o site, apuram o caso.

No site Tio Astolfo, um das postagens mais absurdas dava 'dicas' de como estuprar mulheres em ambiente escolar. Em outra, do dia 26, faz apologia ao estupro em festas e baladas. O texto foi compartilhado 14 mil vezes no Facebook.

Havia ainda outros artigos de como “Estuprar lésbicas é uma questão de honra e bem estar social” e “Estuprar uma mulher feminista é um ato de culto a Deus”. Há uma página no Ask.fm ainda ativa que responde pelo perfil.

Prints do que constava na página Tio Astolfo (Reprodução)

A página era ilustrada com imagens pornográficas, fotos de um homem segurando um livro de Adolf Hitler e fotos de mulheres jovens. Em um dos textos, o autor menciona que “já testou extensivamente” os guias no Instituto de Química da Unesp de Araraquara e “garante que funciona”. A Unesp, em nota, diz que “repudia quaisquer opiniões preconceituosas e que incitem a discriminação, violência e sentimentos de ódio realizadas por pessoas ligadas ou não à instituição”.

Nesta terça-feira, ao tentar acessar o site Tio Astolfo, ele direciona o internauta a outro blog, que indica como dono um ex-aluno da Unesp. No dia 21 deste mês, a universidade divulgou nota em que repudia textos atribuídos a um ex-aluno. Um blog em nome do ex-estudante publicou artigos como “mulheres gostam de apanhar, lide com isto” e “eu ri do incêndio da Kiss”, em referência ao acidente em uma boate em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que deixou 242 mortos.

A mãe deste ex-aluno, citado nominalmente no site da Unesp, entrou em contato com a reportagem para negar a autoria dos textos e informar que já registrou um boletim de ocorrência. De acordo com ela, o filho não é o responsável pelas postagens.

Post de suposta página de ex-aluno da Unesp (Reprodução)

No caso da página Tio Astolfo, o suposto dono era identificado como um jovem do Mato Grosso. Ele negou ser o dono da página e registrou um boletim de ocorrência por “preservação de direito” no 3º Distrito Policial de sua cidade, às 13h desta segunda-feira (27). À delegacia, o blogueiro afirmou que “nunca foi conivente com crimes citados” e que o site foi feito por um “desafeto na internet”.

O nome apontado por ele como sendo o dono da página Tio Astolfo é o de Marcelo Valle Silveira Melo, um jovem de classe média de Brasília que, em 2012, já foi condenado por vários crimes na internet. Na rede, ele é um conhecido ‘pregador do ódio’, segundo reportagem da revista Veja de 23 de março de 2012. Em 2013, o Correio Braziliense informou que ele foi condenado pela Justiça. O Brasil Post não conseguiu localizá-lo.

No Facebook, há um grupo que compartilha informações sobre a página Tio Astolfo. Crimes e violações de direitos humanos na internet podem ser denunciados à Polícia Federal, que possui uma página para receber relatos, e ao Ministério Público de cada Estado, em suas páginas oficiais na rede.

Investigação

Em nota, a PF apenas informou que “todos os sites dessa natureza são monitorados”, mas que “não pode entrar em detalhes de casos específicos sob pena de comprometer as investigações”. Já o MPE informou que a denúncia, recebida do Ministério Público Federal, está sendo apurada pelo Centro de Apoio Operacional Criminal (Cao Criminal).

Caso semelhante no RS

Um jovem gaúcho chamado Gustavo Guerra Rizzotto também ganhou notoriedade ao criar uma página no Facebook intitulada ‘Eu não mereço mulher preta’. A página acabou deletada várias vezes pela rede social, em razão do seu conteúdo racista. Em vídeos no YouTube, o rapaz, natural de Caxias do Sul (RS), se dizia ‘nazista’ e pregava o estupro de mulheres.

(Com Estadão Conteúdo)

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