COMPORTAMENTO
28/07/2015 12:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Os góticos do Amazonas viverão para sempre, mas você não

João Paulo Machado/VICE Brasil

Sabia que precisava fazer algo quando um grande amigo meu voltou falando mais sobre o fato de ter visto muitos góticos circulando nas ruas de Manaus do que sobre seu banho gostoso no Rio Amazonas.

Suavemente fascinada — jovem que sou — por essa subcultura jovem, rapidamente fui procurar alguém disposto a encontrar as misteriosas criaturas da noite que vivem num lugar onde a temperatura média anual é de 26° C e a umidade relativa do ar trabalha lá na casa dos 80%. Eu precisava saber: afinal, quem são os góticos de Manaus?

O fotógrafo manauense João Machado topou a missão de ir em busca dessas pessoas da escuridão. Então, em uma sexta-feira à noite, com um calor de suar qualquer buço, João deu um rolê no Parque dos Bilhares com os góticos da cidade para saber como eles vivem, do que se alimentam, como se reproduzem e como conseguem andar de preto no calor.

Uma das primeiras entrevistas foi com o Lúcio Ruiz, 41 anos, que conta que seu primeiro contato com a subcultura foi quando ainda morava em Belém do Pará e se deparou com o álbum Head In The Door, do The Cure.

Fascinado com aquele homem de batom vermelho, maquiagem borrada e cabelos bagunçados, que posteriormente descobriu ser o Robert Smith, Lúcio começou a ir atrás de mais informações.

"Ouvindo The Cure, fui procurar o que isso representava. Onde [haveria alguém] que parecia o Robert Smith? Aí cheguei em Edward Mãos de Tesoura, cheguei em Drácula de Bram Stoker, e a gente vai criando um consumo, uma cultura. A gente vai consumindo a arte de Van Gogh, consumindo as poesias de Casemiro de Abreu, Augusto dos Anjos, e começa a ver que juntamos um contingente ", explica o almoxarife e também um dos responsáveis pela festa Bela Lugosi Is Dead , um dos poucos eventos em Manaus que procuram celebrar a subcultura gótica.

Lúcio estava acompanhado de sua esposa, Cristiane Ruiz de 28 anos, que, antes de se apaixonar pelo estilo e por essa subcultura, era dançarina de forró na época em que conheceu seu marido. "Não me identificava com o estilo, achava muito frustrante, muito triste, muito sem nada a ver. Nós brigávamos por causa disso, (...) mas aos poucos fui conhecendo, passei a ouvir mais coisas", conta.

Ser gótico também carrega um exercício grandioso de humildade, meio rap nacional, porque grande parte dos entrevistados não se considera gótica. "Se considerar gótico é muito pesado, mas estou na cena, apoiando desde 2000. Tem 15 anos já", frisa Cristiane.

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