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27/07/2015 08:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Raio X do Brasil no Pan mostra motivos para sorrir e para chorar; Festa encerra Jogos em Toronto

Montagem/Estadão Conteúdo

A análise fria de números mostra que, no hipismo, o Brasil repetiu em Toronto as três medalhas conquistadas em Guadalajara. Quem olha mais profundamente os resultados, entretanto, observa que eles são radicalmente diferentes. A equipe de CCE não ganhava a prata desde 1999. Um atleta desta disciplina não ia ao pódio desde 1995. Por outro lado, há 24 anos a equipe de saltos não ficava sem medalha.

O hipismo e suas três disciplinas são o reflexo perfeito do que foi o desempenho do Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Toronto: uma gangorra. Quem estava em baixo subiu. Quem estava em cima, desceu. A natação, com suas 26 medalhas (duas a mais do que nas últimas edições) é única exceção, exatamente aquela que comprova a regra.

Os exemplos que apontam para esse caminho são diversos. No atletismo, o País sempre foi dependente das provas de velocidade e meio-fundo. Em Toronto, ganhou apenas uma medalha, de bronze, obtendo seu pior resultado em 36 anos. Enquanto isso, nas provas de campo (lançamentos e arremessos), ganhou três medalhas. Em toda a história do Pan, havia conquistado apenas 10, sendo cinco antes de 1963 e três com uma mesma atleta.

As duas modalidades demonstram, internamente, com suas variadas disciplinas, o que foi a participação do Brasil como um todo. A análise micro é também macro. Ciclismo de pista, esgrima, badminton, canoagem, hóquei sobre a grama, pentatlo moderno, tiro, tênis de mesa, polo aquático, levantamento de peso e lutas (wrestling) tiveram, em Toronto, o melhor resultado da história. Juntas, elas foram responsáveis pela conquista de 45 medalhas, sendo 11 de ouro, 15 de prata e 19 de bronze. Mais do que o dobro do que as 21 obtidas em Guadalajara, quase quatro vezes as três douradas de 2011.

Ao mesmo tempo que uma lista grande de modalidades teve o melhor resultado da história, outras tantas decepcionaram e amargaram o pior desempenho decente. E isso acontece justamente com aquelas que são consideradas os "carros-chefes" do esporte olímpico brasileiro. Junto com natação (a exceção que confirma a regra), atletismo, boxe, ginástica, judô e vela foram as seis modalidades que mais ganharam medalhas em Guadalajara. Em 2011, somaram 65 medalhas, sendo 27 douradas. Agora, chegaram apenas a 11 medalhas de ouro e 42 no total.

Desse mesmo lado da gangorra, do que desce, estão triatlo (primeira vez sem medalhas na história), nado sincronizado (primeira vez sem medalhas desde 1999), remo (pior campanha desde 1967, com apenas uma prata), mountain bike e ciclismo de estrada (ambos sem medalha pelo segundo Pan seguido). No basquete, vôlei, futebol, tênis, no vôlei de praia e nas maratonas aquáticas o Brasil não enviou seus melhores atletas, por motivos variados. Por isso, os resultados ruins nessas modalidades não entram na conta. Golfe e rúgbi feminino estreiam em Toronto. Os demais esportes não são olímpicos.

Pan de Toronto é encerrado com grande festa

Com um show repleto de luzes e cores, e que explorou a multiculturalidade do continente, os Jogos Pan-Americanos de Toronto foram encerrados oficialmente na noite deste domingo (26). A cerimônia contou ainda com as apresentações da cantora canadense Serena Ryder e dos norte-americanos Kanye West e Pitbull. Agora, Toronto espera pelos Jogos Parapan-Americanos, que começam no próximo dia 7 de agosto.

A festa também marcou o início oficial do ciclo de preparação para os Jogos de Lima, no Peru, em 2019. Uma apresentação artística típica do país da América do Sul, imagens de Machu Picchu e até a representação de uma lhama, animal que habita as cordilheiras, também foram vistas no palco.

A cerimônia praticamente lotou o Rogers Centre - estádio com teto retrátil e capacidade para até 55 mil pessoas - e encerrou oficialmente uma competição em que o Brasil cumpriu a meta estabelecida pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) de terminar entre os três primeiros no quadro de medalhas. O País ficou exatamente no limite de seu objetivo, em terceiro, atrás dos Estados Unidos - a principal força esportiva do continente - e dos anfitriões, Canadá.

"Todos os que estivemos aqui temos certeza de que Toronto está orgulhosa dos Jogos que organizou", declarou Ivar Sisniega, vice-presidente da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), antes de declarar oficialmente encerrados os Jogos de 2015. Na sequência, as bandeiras da Odepa e do Comitê Olímpico Internacional (COI) foram arriadas. E a do Peru, que sediará os Jogos de 2019, foi hasteada.

Diferentemente da cerimônia de abertura, as delegações dos países entraram sem necessariamente seguir uma ordem alfabética. Parte da do Brasil, por exemplo, apareceu primeiro. Uma bandeira do Rio Grande do Sul foi estendida em meio ao desfile brasileiro.

A porta-bandeira do País no encerramento foi a volante Formiga. Ela ficou sabendo que seria a responsável por conduzi-la na manhã deste domingo, menos de um dia após ter conquistado sua terceira medalha de ouro em quatro participações nos Jogos Pan-Americanos como atleta da seleção feminina de futebol. Capitã do Brasil em Toronto, Formiga era a atleta mais experiente do grupo e teve participação fundamental na conquista. Na decisão com a Colômbia, foi autora do primeiro dos quatro gols.

Dilma exalta apoio do governo aos atletas

No último dia dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, a presidente da República, Dilma Rousseff, publicou nota homenageando os atletas brasileiros que participaram do grande evento realizado no Canadá. "Com muito orgulho, faço (…) uma homenagem especial aos nossos atletas que mostraram força e determinação no Canadá", escreveu a presidente no comunicado divulgado na noite deste domingo pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República.

Dilma enfatiza que dos 141 pódios alcançados pelo Brasil, 121 foram conquistados por atletas e equipes que recebem patrocínio do governo federal. Mais de 70% da delegação brasileira em Toronto é formada por bolsistas do Ministério do Esporte, continua o documento.

"Nossa alegria se torna ainda maior porque pudemos ajudar a construir o caminho em direção às medalhas", disse. "Tenho certeza de que vamos colher ainda mais frutos nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, no ano que vem", continuou.

Com muito orgulho, faço neste domingo, dia do encerramento dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, uma homenagem especial...

Posted by Dilma Rousseff on Domingo, 26 de julho de 2015

A presidente assegurou que o compromisso é apoiar o esporte, que, segundo ela, possui um poder transformador. "Atletas como o nadador Thiago Pereira, que se tornou em Toronto o maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos, são exemplos para nossas crianças", escreveu. Em seguida, ela cita outros participantes e equipes.

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