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24/07/2015 15:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Nova prisão de Odebrecht e mais quatro da empresa é fundamentada em ‘fluxo financeiro milionário' em contas na Suíça

Montagem/Estadão Conteúdo

O juiz Sérgio Moro, responsável pela condução da Operação Lava Jato, decretou nova prisão da cúpula da empreiteira Odebrecht, inclusive de seu presidente, Marcelo Bahia Odebrecht.

A decisão atende pedido do Ministério Público Federal e foi tomada diante de novas provas que se acumularam desde a prisão do empresário e dos outros executivos ligados ao grupo, Márcio Faria, Rogério Araújo, Alexandrino Alencar.

Marcelo Odebrecht e os executivos, a quem ele chama de 'meus companheiros', foram presos em caráter preventivo na Erga Omnes, 14º capítulo da Lava Jato, deflagrada no dia 19 de junho.

As novas provas consistem em documentação sobre movimentação das contas da Odebrecht na Suíça. Segundo a força-tarefa da Lava Jato, os extratos bancários confirmam os depósitos de propinas nas contas de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da estatal, Renato Duque, ex-diretor de Serviços, Jorge Zelada e Nestor Cerveró, ex-diretores de Internacional.

O próprio Paulo Roberto Costa fez delação premiada e confessou ter recebidoUS$ 23 milhões em propinas da Odebrecht.

A nova ordem de prisão substitui integralmente a decisão anterior, contra a qual a defesa do empreiteiro e dos outros executivos vinham lutando e tentando derrubar por meio de habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que está em recesso.

Em sua decisão, o juiz Moro adverte que o empreiteiro e seus executivos em liberdade representam "riscos à ordem pública, à instrução criminal e à aplicação da lei penal”.

O juiz Moro destaca que "pelo relato das autoridades suíças e documentos apresentados, há prova, em cognição sumária, de fluxo financeiro milionário, em dezenas de transações, entre contas controladas pela Odebrecht ou alimentadas pela Odebrecht e contas secretas mantidas no exterior por dirigentes da Petrobras”.

"Trata-se de prova material e documental do pagamento efetivo de vantagem indevida pela Odebrecht para os dirigentes da Petrobras, especificamente Paulo Costa, Pedro Barusco, Renato Duque, Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada", assinala o juiz.

A defesa da Odebrecht informou que acabou de tomar conhecimento da decisão e se pronunciará oportunamente.

Prisões questionadas no STJ

No mesmo dia em que as novas prisões foram decretadas, o STJ estipulou um prazo de cinco dias para Moro se explicar sobre as prisões. O tribunal quer saber com base em quê o juiz mantém os empreiteiros encarcerados.