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24/07/2015 19:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Ministério Público denuncia 22: ‘A Lava Jato é um suspiro de esperança'

Montagem/Estadão Conteúdo

A primeira ação formal da Operação Lava Jato, com a denúncia contra os presidentes de duas das maiores empreiteiras do País, Andrade Gutierrez e Odebrecht, feita nesta sexta-feira (24), veio acompanhada de um apelo do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Eles pedem que os brasileiros mudem de posição e não aceitem mais este tipo de ato de corrupção.

A denúncia por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro inclui 22 pessoas, entre elas os executivos Otávio Azevedo e Marcelo Odebrecht, além do doleiro Alberto Youssef. De acordo com o MPF, os envolvidos faziam parte de um cartel que combinava o resultado de licitações e pagava propina para terem contratos firmados com a Petrobras.

O procurador Delton Dallagnol detalhou o esquema em coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira. De acordo com ele, as denúncias desmentem as notas que as empreiteiras têm divulgado à imprensa negando participação no esquema.

“Não existe espaço na nossa investigação para teorias da conspiração, nós do MPF, investigadores da Lava Jato, temos um sonho que compartilhamos com a sociedade brasileira, é o sonho de que todos sejam tratados de modo igual perante a lei. A Lava Jato é um suspiro de esperança, é um suspiro republicano."

Para ele, uma maneira de tratar esse “esse suspiro e fazer com que ele se torne história” é o País acatar as dez medidas contra a corrupção que foram propostas pelo MPF no início do ano

"Fica aqui o nosso compromisso de que os serviços não param aqui, eles continuam. Vamos fazer todo o possível para apurar todos os crimes e punir todos os criminosos na medida de sua responsabilidade.”

O delegado da PF Eduardo Mauat da Silva disse esperar que a mentalidade do brasileiro mude.

“Nós delegados da Lava Jato esperamos que essa seja não mais uma operação em que pessoas são presas, condenadas, dinheiro recuperado e não há uma mudança de mentalidade. Temos um sonho ambicioso. A partir das informações que vamos trazer à tona, vamos desvendar um esquema onde não existem violões e mocinhos, existem partícipes, cada um com sua responsabilidade.”

Silva ressaltou que a Petrobras falhou também em vários aspectos e pode ter contribuído indiretamente para que esse sistema criminoso se perpetuasse. “Nossa ideia é trazermos informações para que isso gere uma mudança de mentalidade, que a sociedade vai encarar e não vai mais aceitar que este tipo de coisa aconteça. Nosso papel talvez seja bastante pequeno nesse contexto, de mudança de mentalidade, que a sociedade não vá aceitar isso.”

A expectativa dele é que o caso “gere uma reflexão na sociedade para que possa ser diferente daqui para frente, para que a gente possa voltar a sentir orgulho de ser brasileiro”.

Acusação

De acordo com o procurador Delton Dallagnol, o esquema de desvio de verba, lavagem de dinheiro e pagamento da propina ocorria de forma complexa e muito sofisticada. A maior parte se dava por meio de offshores, que, na explicação dele, “nada mais são de laranjas e testas de ferro”, controladas pelas empreiteiras.

Só no caso da Odebrecht, essas empresas no exterior chegaram a movimentar pagamentos na ordem de US$ 17,6 milhões para funcionários do alto escalão da Petrobras, segundo o MPF.

As provas foram obtidas pelos depoimentos de delação premiada e por documentos colhidos na operação. As empresas têm negado participação no esquema.

No documento encaminhado à Justiça Federal, o MPF pede ressarcimento de mais de R$ 7 bilhões, sendo R$ 6,7 bilhões da Odebrecht e R$ 486 milhões da Andrade Gutierrez.

Cabe ao juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal no Paraná, que conduz o caso, acatar a decisão do MPF e tornar os denunciados réus.

Também nesta sexta-feira, Sérgio Moro pediu uma nova prisão preventiva para o presidente da Odebrecht e outros quatro integrantes da cúpula da empreiteira. Ele argumenta que novas provas encaminhadas pela Suíça mostram “fluxo financeiro milionário” em contas naquele país.

Saiba quem foi denunciado:

Alberto Youssef


Alexandrino de Salles Ramos de Alencar


Antônio Pedro Campello de Souza Dias


Armando Furlan Júnior
- Bernardo Schiller Freiburghaus


Celso Araripe d'Oliveira


Cesar Ramos Rocha


Eduardo de Oliveira Freitas Filho


Elton Negrão de Azevedo Júnior


Fernando Falcão Soares


Flávio Gomes Machado Filho


Lucélio Roberto von Lechten Góes


Marcelo Bahia Odebrecht


Márcio Faria da Silva


Mario Frederico Mendonça Góes

Otávio Marques de Azevedo


Paulo Roberto Costa


Paulo Roberto Dalmazzo


Paulo Sérgio Boghossian


Pedro José Barusco Filho


Renato de Souza Duque


Rogério Santos de Araújo