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22/07/2015 22:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Cientista desmente tuítes de Jim Carrey sobre lei de vacinação obrigatória nos EUA

Ben A. Pruchnie via Getty Images
LONDON, ENGLAND - NOVEMBER 20: Jim Carrey attends a photocall for 'Dumb and Dumber To' on November 20, 2014 in London, England. (Photo by Ben A. Pruchnie/Getty Images)

Em uma série recente de tuítes, o ator Jim Carrey se enfureceu contra uma nova lei da Califórnia que proíbe a isenção de crença pessoal na vacinação infantil. O projeto de lei, assinado pelo governador Jerry Brown (D) no final de junho, faz com que as injeções sejam obrigatórias para todas as crianças antes de frequentarem escolas públicas ou particulares.

As únicas crianças isentas de vacinas são aquelas que têm uma razão médica para adiá-las, como imunodeficiência ou câncer.

Carrey sustenta que a sua objeção é aos aditivos encontrados nas vacinas, como o timerosal e mercúrio, e que não é contra as vacinas. "Eu não sou antivacina", escreveu o ator no Twitter.

Mas não é possível acreditar nos dois ao mesmo tempo, disse o Dr. Paul Offit, diretor do Centro de Educação de Vacinas no Hospital Infantil da Filadélfia. Ao insistir em criar um problema a partir de um não-problema como os supostos perigos do conservante timerosal, Carrey na verdade adota uma posição antivacina, explicou Offit. De acordo com Offit, existem vários estudos de qualidade que mostram que o timerosal nas vacinas não causa autismo ou atrasos de desenvolvimento nas crianças que o recebem.

"O que faz do Jim Carrey um antivacina é que ele transforma um não-problema em um problema", disse. "Ele desinforma as pessoas sobre as vacinas, e portanto, ele é antivacina."

Algumas vacinas, como certas vacinas contra a gripe, ainda contêm pequenas quantidades de timerosal. Carrey comparou esse produto químico ao metilmercúrio encontrado nos peixes, que é uma neurotoxina e pode causar sérios danos às pessoas se ingerido em grandes quantidades.

Mas o metilmercúrio e o etilmercúrio usado para conservar as vacinas são duas coisas muito diferentes, explicou Offit. Por um lado, todos estão expostos ao metilmercúrio. Ele se acumula no organismo ao longo de uma vida de exposição e em grande quantidade pode causar danos e incapacidade permanente. O etilmercúrio, por outro lado, é um subproduto produzido pelo corpo humano ao processar o timerosal. Ele não permanece no corpo por muito tempo.

Ironicamente, o timerosal foi inicialmente adicionado às vacinas na década de 1930 para deixar as injeções mais seguras. Perfurar repetidamente um frasco que contém múltiplas doses de uma vacina traz a possibilidade de introdução de bactérias, fungos e outros contaminantes para dentro do recipiente. As crianças que receberam a nona ou décima dose daquele frasco têm um maior risco de terem infecções com risco de morte do que aqueles que receberam a primeira ou segunda dose, disse Offit. Mas um estudo de 1998, agora contestado, sobre a ligação entre vacinas e os danos cerebrais, bem como a crescente preocupação de um certo número de pais que suspeitavam dos ingredientes da vacina, criaram condições para sua remoção, mesmo sem nenhuma evidência científica de que o timerosal fosse prejudicial.

Em reação à indignação dos pais sobre o mercúrio nas vacinas, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças anunciaram em 2000 que eles estavam retirando o produto químico da maioria das vacinas a serem tomadas na infância - uma ação que Offit, membro do Comitê Consultivo para Práticas de Imunização na época, votou contra. Ao ceder a temores sem base científica sobre o timerosal, disse Offit, a decisão do CDC de remover o aditivo pode ter alarmado mais os pais - não tranquilizado - quando se trata da segurança na vacinação.

"Eu acho que eles desnecessariamente assustaram o público americano sobre o timerosal", disse Offit. "Eles cederam à percepção de que o mercúrio não soa nada bem, em vez de tentar educar o público de que a quantidade de mercúrio a que você se expõe ao ser vacinado é infinitamente menor do que outras formas de exposição."

A decisão também deu certa legitimidade científica a grupos antivacinação, que interpretaram a decisão de remover o timerosal como uma admissão de culpa. Ater-se à ciência, diz, será sempre a chave quando se trata de aumentar o número de vacinações.

"Francamente, quem é o Jim Carrey para comentar sobre a ciência?", disse Offit. "Ele é um ator. Será que ele sabe de ciência? Eu acho que não."

(Tradução Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.