NOTÍCIAS
22/07/2015 14:49 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

5 fatos que mostram que a treta entre Dilma e Cunha não é de hoje

Montagem/Estadão Conteúdo

Não é de hoje que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dá dor de cabeça para a presidente Dilma Rousseff. Quando ele foi eleito líder do PMDB em 2013, chegaram a avisar a presidente que ele poderia dar problema, mas, após conversas com outros peemedebistas, o Planalto se confortou com a escolha do partido.

Não deu outra, já na primeira pauta complicada para o governo, Cunha mostrou que é uma pessoa de posições firmes. Desde então, as tretas só aumentam. O Brasil Post explica em cinco fatos o porquê dessa tensão.

1 - MP da discórdia

Em 2013, recém-eleito líder do PMDB, Cunha protagonizou o primeiro grande embate com o Palácio do Planalto. A briga girou em torno de modificações na medida provisória que regulava o setor portuário brasileiro. O peemedebista não só apresentou uma emenda que causou choque no governo como convenceu um grupo de parlamentares a votar com ele.

Entre outros, a proposta de Cunha facilitava a vida de grande empresários do setor, com a garantia de renovação da concessão do terminal portuário.

Insatisfeita com a postura do então líder do maior partido da base, a própria presidente passou a participar das reuniões de negociação do texto. Foi aí que Cunha soltou uma de suas frases clássicas: "A presidente não pode mergulhar na derrota, só deve mergulhar na vitória”.

O estresse foi tamanho que a MP só foi aprovada após 41 horas de votação. Na época, Cunha já ensaiava um discurso de oposição: "O PMDB não serve apenas para carimbar decisões do governo. Queremos debater ideias. Nossa relação com o PT é como um casamento, somos casados, mas às vezes é preciso discutir a relação."

2 - Blocão

Nitidamente independente, Cunha percebeu que não era o único infeliz com a relação e partiu para o ataque. Montou uma rede de insatisfeitos, com mais de 250 deputados.

O Blocão uniu parlamentares com queixas de todos os tipos: por mais cargos, mais ministérios, ministro não representa o partido, ministro não recebe o deputado, Planalto não convida para participar de cerimônias no estado, emendas que não são liberadas…

O único ponto em comum passava pela reclamação permanente com relação a articulação política. Nem a queda de Ideli Salvatti, da Secretaria de Relações Institucionais, e de Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, deram jeito.

O blocão atuou como pôde para mostrar ao governo que eles eram essenciais para o andamento dos projetos e políticas da presidente. Uma das retaliações ao Planalto foi justamente a criação da primeira CPI da Petrobras, ainda no início de 2014.

3 - Reforma ministerial

Depois de um período complicado, cheio de ameaças de rompimento e incertezas sobre a permanência do PMDB na chapa presidencial, a reeleição não trouxe conforto a Dilma.

Acabou a eleição e veio o terceiro turno, com a divisão dos prédios dos ministérios. Qual fatia seria do PMDB? A presidente já tinha prometido aumentar a participação do partido no governo, mas não foi suficiente para unir os peemedebistas.

As escolhas da presidente foram consideradas ruins pela bancada da Câmara. Desde março de 2014, Cunha já tinha avisado que os deputados não fariam indicações para os ministérios da Agricultura e do Turismo, que eram tradicionalmente chefiados por integrantes da bancada.

O resultado da reforma só serviu para reforçar o bordão de Cunha: "O PMDB da Câmara não é representado no governo".

4 - Presidência da Câmara

O que já estava ruim pode ficar ainda pior. Enquanto negociava a Esplanada com o PMDB, a presidente Dilma Rousseff tinha outra preocupação: a campanha do então líder do PMDB, Eduardo Cunha, para a presidência da Câmara.

O Planalto fez o que pode para enterrar essa ideia. Foram várias reuniões com o vice-presidente Michel Temerem busca de uma solução.

Não teve jeito. O governo escalou o então ministro da Educação, Cid Gomes, e o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, para montarem seus exércitos e apostar em uma candidatura do PT.

Cunha ficou extremamente irritado com o assédio dos ministros para emplacar Arlindo Chinaglia (PT-SP) na presidência da Casa. Eleito, o peemedebista deu uma resposta aos dois ministros. Fez Gomes pedir para sair e aprovou um projeto que dificulta o sonho de Kassab de criar mais um partido.

5 - Lava Jato

Com uma relação já bastante desgastada com o Planalto, Cunha encarou sua aparição entre os investigados da Operação Lava Jato como uma vingança do governo.

Na avaliação dele, o Executivo tem influência sobre as investigações e tem protegido os petistas. O parlamentar também acredita que o governo em conjunto com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, armaram para colocá-lo em uma situação ruim no dia em que faria um pronunciamento em rede nacional.

“É uma orquestração na véspera do dia em que eu farei o pronunciamento à nação. É uma operação política do PT, do governo e do Ministério Público que protege os do PT”, esbravejou na última sexta-feira (17).

Amigos?

Apesar do embate parecer genuíno, eles já foram, pelo menos, colegas. Em 2010, Cunha, junto com o Pastor Everaldo (PSC), derrotado nas eleições de 2014, e o pastor Abner Ferreira, da Assembleia de Deus fizeram um longo trabalho nas igrejas para reverter a imagem negativa da então candidata entre os evangélicos. Na época, os boatos de que ela era favorável ao aborto e legalizaria o casamento gay abalaram a campanha.

Bastou pouco tempo de governo Dilma para esse coleguismo mudar de status.